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Juros da dívida podem ficar mais caros

Os países em desenvolvimento poderão enfrentar taxas de juros maiores em função dos riscos de sua vulnerabilidade às mudanças climáticas. Relatório elaborado por universidades do Reino Unido para o programa de meio ambiente das Nações Unidas prevê que o gasto com juros da dívida irá subir.

Segundo o relatório, o custo do capital emprestado para os países em desenvolvimento irá aumentar em função aos riscos climáticos introduzidos pelo aquecimento global. Os riscos terão cada vez mais importância nas decisões financeiras e podem impactar o retorno sobre o investimento. Eles podem trazer instabilidade econômica global.

O objetivo do estudo foi avaliar a relação entre a vulnerabilidade climática, os perfis de crédito e o custo de capital nos países em desenvolvimento. Os riscos climáticos consistem em um dos elementos precificados pelas instituições financeiras quando se estabelecem as condições para o empréstimo de capital.

O relatório analisou a dívida pública e privada de 40 países em desenvolvimento considerados vulneráveis às alterações climáticas. Levando em conta os níveis históricos da dívida, os pesquisadores analisaram, em um modelo econômico, um subconjunto de vulnerabilidades climáticas e seus efeitos diretos.

Os resultados sugeriram que, nos últimos 10 anos, a vulnerabilidade climática elevou o custo médio da dívida dos países. Representou um aumento de US$ 40 bilhões em pagamento de juros adicionais apenas sobre a dívida externa pública dos governos.

Considerando também a dívida externa privada, o relatório estimou em US$ 62 bilhões o valor adicional pago em juros em função dos riscos climáticos.

A tendência irá se agravar no futuro, com uma elevação ainda maior dos custos financeiros. Os 40 países em desenvolvimento poderão enfrentar, nos próximos 10 anos, custos adicionais de juros entre US$ 146 bilhões e US$ 168 bilhões.

Para cada dez dólares pagos na forma de juros, um dólar adicional deverá ser gasto por causa da vulnerabilidade climática.

Evitar prejuízos no futuro exigiria a implementação de medidas de adaptação às mudanças climáticas, reduzindo a vulnerabilidade. Mas essas medidas teriam que cumprir ao menos um dos seguintes imperativos: reduzir os custos dos impactos climáticos, melhorar a velocidade da recuperação econômica, ou transferir os riscos financeiros ligados ao clima.

Países em desenvolvimento mais pobres apresentam classificações mais baixas e obtém empréstimos a juros altos, apontou o relatório. Além de vulneráveis à mudanças climáticas, também são particularmente sensíveis a novos riscos financeiros.

Mais informações: Climate Change and the Cost of Capital in Developing Countries
Imagem: figura 1 do sumário executivo do relatório – gráfico mostra que os países com maior sensibilidade aos impactos climáticos tendem a ter maiores custos de empréstimos soberanos

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