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Ir além de políticas de eficiência energética

As políticas atuais de conservação de energia são limitadas e não oferecem uma solução efetiva para combater o aquecimento global. Planejadas para se incorporar ao mercado e suas regras de competição, elas tem como último objetivo aumentar o resultados das organizações. Dessa forma, em vez de promover um uso melhor e mais racional da energia, elas são projetadas apenas para se fazer ou se produzir mais.

De acordo com os pesquisadores, em geral as políticas de conservação de energia seguem uma estratégia baseada em dois princípios. O primeiro deles é o da inovação tecnológica. Ele define que a redução quantitativa do consumo de energia ocorre pela substituição em larga escala de tecnologias existentes por novas, mais eficientes. Em condições idênticas e padronizadas, as novas tecnologias apresentariam o mesmo grau de produção, utilizando uma quantidade menor de energia.

O segundo princípio da estratégia diz respeito ao tipo de instrumento político implementado. Apesar de uma grande diversidade em suas características, os instrumentos possuem em comum a ênfase no comportamento dos indivíduos. Busca-se os influenciar ou alterar, seja para estimular a adoção de novas soluções técnicas, seja para minimizar ineficiências.

Nesse sentido, a estratégia das políticas de conservação de energia evita sempre interferir ou limitar a multiplicação de atividades socioeconômicas. Ela se restringe à eficiência energética, entendida como a diminuição quantitativa do consumo de energia de uma certa atividade sem prejuízo à produtividade.

Um dos problemas das políticas é que elas negligenciam aspectos qualitativos das tecnologias e das atividades socioeconômicas. Esses aspectos qualitativos exercem uma interferência central no consumo energético. Um exemplo citado pelos pesquisadores é dos motores dos carros. O fabricante pode produzir carros maiores, baseado em motores de alta eficiência energética. Todavia, é possível que o consumo final de energia desses carros seja maior se comparado a carros menores, com motores menos eficientes. O tamanho tem tanta importância quanto a eficiência do motor para a conservação de energia.

Outra limitação identificada pelo estudo diz respeito à como os ganhos energéticos são aplicados. Uma vez que o consumo de energia se reduz em algumas atividades, libera-se energia para se aplicar em outros usos adicionais e úteis. Todavia, raramente as políticas de eficiência energética abordam o assunto. Dessa forma, não é possível garantir que em uma determinada região geográfica, os ganhos obtidos com a eficiência energética serão mantidos.

Muitas vezes o ganho de eficiência é explorado para a multiplicação não sustentável de atividades industriais. Os pesquisadores afirmam que a criação de estruturas eficientes em energia representa apenas a possibilidade de fazer certas coisas com menos esforço. Fatores ambientais, sociais e econômicos levam essas estruturas a se multiplicarem, realizando um número maior de atividades.

O foco sobre os comportamentos individuais também pode ser contestado. A idéia é que fatores externos se ligam aos comportamentos individuais em uma relação de causa e efeito. Ao alterar os fatores externos, seria promovida a mudanças dos indivíduos. É uma visão formalista, na qual a vida em sociedade dá lugar a automatismos de cada pessoa.

O estudo conclui que as políticas atuais de conservação de energia, devido às suas inúmeras lacunas, ficam muito aquém do necessário para lidar com os desafios ambientais e energéticos do presente. Os pesquisadores recomendam a complementação das políticas atuais com novas abordagens, incluindo mudanças qualitativas e locais nas estruturas da atividades socioeconômicas.

Mais informações: Beyond energy efficiency and individual behaviours: policy insights from social practice theories
Imagem: Pixabay

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