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Aquecimento coloca a infraestrutura do Ártico em risco

A maior parte da infraestrutura presente no Ártico – como rodovias e edificações – estará sob risco em função do aquecimento global, apontou estudo de um time internacional de cientistas.

A região experimenta alterações sem precedentes. E uma das consequências diz respeito à degradação e derretimento dos solos congelados, o que está provocando, segundo o estudo, danos à infraestrutura existente.

A transformação nas características dos solos eleva o risco geológico da infraestrutura atual e futura. Representa uma ameaça ao usos dos recursos naturais – empresas consideram o Ártico como a nova fronteira de exploração de petróleo – e às comunidades locais.

Apesar de pesquisas anteriores abordarem o assunto, ainda não havia um levantamento do risco geológico que abrangesse todo o Ártico e vizinhanças.  Os cientistas buscaram fechar essa lacuna por meio de um mapeamento, em escala detalhada, de áreas de risco.

Eles levaram em consideração projeções de aquecimento global futuro, a partir de cenários de baixas, médias e altas emissões de gases de efeito estufa. Também utilizaram dados ambientais, climáticos e geoespaciais, e um modelo do regime térmico dos solos.

A análise se concentrou na camada superficial dos solos congelados, com até 15 metros de profundidade, devido à sua importância para a construção. O estudo considerou como infraestrutura as instalações com fundações permanentes em terrenos livres de gelo. Entre elas, as residências, o sistema de transporte e industrial.

Os resultados apontaram que quase 70% da infraestrutura do Ártico fica localizada em áreas com alto potencial de derretimento dos solos congelados até 2050. Ao analisar as propriedades do solo, os cientistas concluíram que 33% da infraestrutura estará exposta ao risco de instabilidade, devido à subsidência e à perda de capacidade estrutural de suporte.

Entre todos os tipos de infraestrutura, a mais vulnerável foi a da indústria de extração de hidrocarbonetos na Rússia. Do total dos campos de exploração, 45% se localiza em locais de alto risco de instabilidade dos solos.

Os prejuízos sobre as estruturas de engenharia, as atividades socioeconômicas e os sistemas naturais do Ártico se estenderão ao futuro, à medida que o sistema climático continua a aquecer. Eles devem ser mais significativos em áreas que combinem alto risco e a presença de centros urbanos e industriais.

Mas reduzir as emissões de gases de efeito estufa, limitando o aquecimento – conforme proposto pelo acordo climático de Paris – poderia estabilizar os riscos. Todavia, em cenários de altas emissões, espera-se impactos maiores no ambiente construído e na atividade econômica do Ártico..

Mais informações: Hjort, Jan, et al. “Degrading permafrost puts Arctic infrastructure at risk by mid-century.” Nature Communications 9.1 (2018): 5147.
Imagem: figura 3 do estudo – mapa de risco da infraestrutura do Ártico

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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