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A influência do oceano Atlântico no aquecimento global

Ao longo do século passado, o oceano Atlântico contribuiu para alternadamente mascarar ou acentuar a taxa de aquecimento global, afirma estudo de cientistas europeus. A mesma tendência deverá continuar ao longo do século XXI.

O aumento da temperatura média global não ocorre de forma linear, mas é caracterizado pela alternância entre períodos de crescimento mais lento e outros de crescimento mais acentuado. Essa alternância se deve à variação interna do sistema climático, ligada a fenômenos atmosféricos e oceânicos como o El Nino ou a Oscilação Multidecadal do Atlântico.

De acordo com o estudo, a Oscilação do Atlântico Norte – NAO, na sigla em inglês – consiste no principal modo de variabilidade da circulação atmosférica na região do Atlântico Norte. Ele pode variar em uma escala de tempo que vai de dias até a décadas, e afeta os padrões de temperatura e precipitação sobre a Eurásia, a América do Norte e a Groenlândia, particularmente durante a estação do inverno.

Série temporal do índice NAO para (a) a temporada de inverno (Dezembro a Março) e (b) verão (Julho a Agosto) no Hemisfério Norte. A linha colorida representa um índice e a linha preta outro. Fonte: figura 1 do estudo.

Durante as últimas décadas, o NAO apresentou tendência negativa entre 1920 e 1970, uma tendência positiva entre 1970 até o início dos anos 90, e outra vez negativa até o ano de 2013 (ver gráfico acima). O padrão espacial do aumento da temperatura no Hemisfério Norte durante o mesmo período esteve ligado às diferentes fases do NAO. Na fase positiva, registrou-se aquecimento na região extratropical e na Eurásia e resfriamento do leste do Canadá até a Groenlândia. Na fase negativa, verificou-se um resfriamento dos invernos, em especial na Europa.

Utilizando dados meteorológicos e modelos climáticos, o estudo dos cientistas buscou quantificar a contribuição das diferentes fases da NAO nas tendência de temperatura do Hemisfério Norte durante o século passado. Os resultados sugerem um grande efeito das diferentes fases sobre as tendências de temperatura no inverno da região extratropical do Hemisfério Norte.

Estimou-se que, durante a estação do inverno, a fase negativa da NAO de 1920 a 1970 reduziu a taxa de aquecimento na região em 57%. Entre 1963 e 1995, em fase positiva, representou 45% do aquecimento registrado. Entre 1989 e 2013, outra vez em fase negativa, diminuiu o aquecimento em 24% (ver gráfico abaixo). Os maiores efeitos se deram no norte da Eurásia e do leste do Canadá até a Gronelândia, sendo que as duas regiões apresentaram tendências opostas.

Os gráficos mostram a temperatura registrada (amarelo), a contribuição da NAO (azul) e a tendência residual de aquecimento global, uma vez que a influência NAO foi retirada (vermelha). Inclui a estação do inverno do Hemisfério Norte (DJFM) (a) – (f) e verão (JJA) (g) – (i) para diversas regiões. Também é apresentada a tendência média dos modelos climáticos para cada região (cinza). Fonte: figura 4 do estudo.

A influência das diferentes fases da NAO se mostrou mais branda durante o verão. Ainda assim, contribuiu para as tendências de temperatura no norte da América do Norte, da Europa e no leste do Canadá até a Gronelândia. Removendo as influências atribuídas a NAO, os cientistas identificaram um padrão de aquecimento em todos os períodos analisados. O padrão estava me concordância com as tendências médias de aquecimento global simuladas por modelos climáticos. 

O estudo ressalta a necessidade de mais pesquisa para entender como padrões de circulação atmosférica e oceânica, tais como a NAO, irão responder ao aquecimento global. Enquanto a ciência não aprofundar o conhecimento desses fenômenos, permanecerão grandes incertezas a respeito das trajetórias de longo prazo da temperatura.

Mais informações: Role of the North Atlantic Oscillation in decadal temperature trends
Imagem: Pixabay

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