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Influência do CO2 no passado terrestre

A diminuição das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 – provocou o resfriamento do planeta há milhões de anos atrás, sugeriu estudo de um time internacional de cientistas. O episódio pode auxiliar na avaliação das consequências do aquecimento global em curso.

Durante a época do Eoceno, entre 56 e 22.9 milhões de anos atrás, o sistema climático terrestre era bem mais quente do que no presente. Não haviam calotas polares na região dos pólos. Mas no final do período ocorreu o processo de deriva continental que levou à formação da Antártica e da Austrália.

A formação dos dois novos continentes criou também uma nova passagem de águas profundas, alterando os padrões de circulação dos oceanos.

A partir daí, a temperatura média global começou a cair. Haviam duas hipóteses para explicar o resfriamento: ele teria sido causado pela mudança nos padrões de circulação dos oceanos, ou então, pela queda das concentrações atmosféricas de CO2.

A primeira hipótese implicariam uma alteração na distribuição de calor ao redor do planeta. A zona tropical se manteria aquecida, enquanto as regiões polares esfriariam. A segunda hipótese representaria uma perda global do calor total presente no sistema climático. Com isso, tanto os trópicos quanto os pólos experimentariam um resfriamento.

Mas entender a evolução do sistema climático no fim da época do Eoceno esbarrava na falta de registros paleoclimáticos a respeito das condições ambientais observadas nos trópicos. Sem esse tipo de informação, os cientistas não poderiam quantificar mudanças em parâmetros climáticos como a temperatura média global.

O estudo supriu essa lacuna por meio de fósseis de organismos marinhos tropicais que viveram no período. Eles foram coletados em sedimentos do fundo mar perto da Costa do Marfim.

Ao analisar os lipídios da membrana desses organismos, cuja composição variava de acordo com a temperatura ambiente, os cientistas puderam reconstruir a temperatura da água há milhões de anos atrás. Em seguida, eles introduziram esses dados em modelos climáticos, a fim de produzir simulações de toda a época do Eoceno.

Segundo os cientistas, a reconstrução das temperaturas tropicais e dos pólos indica que as mudanças nas temperaturas ocorreram simultaneamente em ambas as regiões. O resfriamento no final do Eoceno seria, portanto, influenciado pela diminuição das concentrações atmosféricas de CO2.

No auge do Eoceno, a temperatura média global teria alcançado 29oC, reduzindo para 19oC no final da época. Em comparação, a temperatura média global do período pré-industrial foi estimada em 14,4oC.

Foi a primeira vez em que um modelo climático simulou com sucesso os gradientes de temperatura indicados pelos registros paleoclimáticos para as regiões dos pólos e tropicais.

Fonte: Purdue University
Imagem: Universidade de Washington – fotografia do organismo Thaumarchaeota archaea 

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