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Influência das mudanças climáticas sobre desastres naturais e migração

Os países da América do Sul avançaram no desenvolvimento de normas e políticas nacionais a respeito da mobilidade e migração das pessoas. Mas ainda é preciso harmonizar essas normas e políticas com as diretrizes internacionais, conclui estudo de pesquisadoras brasileiras, de forma a eliminar as lacunas existentes na proteção às pessoas frente aos impactos das mudanças climáticas.

Segundo as pesquisadoras, desastres naturais e eventos extremos são relativamente comuns na América do Sul. Nas últimas cinco décadas, fenômenos climáticos responderam por 88% dos desastres observadas na região. Entre 2000 e 2008, estima-se que aproximadamente 8 milhões de pessoas foram deslocadas ou evacuadas de suas moradias por causa de desastres naturais.

Fatores ambientais e climáticos podem provocar deslocamentos migratórios. Em geral, são deslocamentos de curta distância em direção aos centros urbanos, internos aos países, e tendem a durar pouco tempo. Ao alterar a frequência, intensidade ou distribuição de fenômenos climáticos relacionados a desastres naturais, as mudanças climáticas irão também impactar os fluxos de migração e a mobilidade das pessoas.

As discussões internacionais e regionais enfatizam cada vez mais estratégias de adaptação às mudanças climáticas ligadas ao tema da mobilidade humana. A fim de investigar como normas e políticas nacionais de países sul-americanos abordam a questão, o estudo comparou os textos dos países com duas das principais abordagens internacionais sobre o tema.

O estudo identificou que poucos países da América do Sul incluem a mobilidade humana em suas políticas e normas climáticos. No entanto, alguns progressos foram observados, como vistos humanitários para pessoas desalojadas. O principal fator que leva os países a considerarem a mobilidade humana é a ocorrência de situações reais de desastres naturais.

As pesquisadoras identificaram os obstáculos para o desenvolvimento de melhores estratégias ligadas à mobilidade humana. A coleta e estruturação de dados sobre desastres e mudanças climáticas no continente sul-americano é falha. Ao mesmo tempo, os Estados dispões de pequeno conhecimento e compreensão da relação entre desastres, mudanças climáticas e mobilidade humana. Com isso, nenhum país planejou estratégias específicas para o tema.

O estudo aponta alternativas para avançar de forma mais substancial a questão da mobilidade em normas e políticas nacionais. A adaptação às mudanças climáticas inclui o reconhecimento da migração como uma possível estratégia.

Mais informações: Human mobility in the context of climate change and disasters: a South American approach
Imagem: Pixabay

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