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Influência das geleiras no aquecimento

O sistema climático é composto por diversos componentes, entre os quais se incluem a criosfera – geleiras, calotas polares e outros elementos ligados ao gelo -, os oceanos, e a atmosfera. A ciência do clima busca aprofundar o conhecimento de como esses diferentes componentes se relacionam um com os outros, e como dessas múltiplas relações se formam os processos que determinam o clima.

Um exemplo do avanço da ciência do clima é o estudo publicado no jornal científico PNAS  investigando como as geleiras podem contribuir, ao longo de milhares de anos, para o aquecimento do sistema climático. O estudo investigou as possíveis interfaces entre as glaciações, o processo de intemperismo (decomposição química das rochas causada pelo gelo) e as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2.

Os pesquisadores coletaram amostras de água provenientes de diversos vales onde se observam geleiras, analisando sua composição química. A partir dos dados, eles estabeleceram os tipos de reações químicas associadas ao intemperismo provocado pelas geleiras, e suas influências em longo prazo.

Quando as geleiras se formam, aumenta a taxa de erosão do substrato rochoso sobre o qual elas se sustentam e se movem. Maior erosão significa maior intemperismo. Os principais elementos químicos identificados pelo estudo como produto do intemperismo foram minerais carbonatos e sulfatos. Entre os últimos, a pirita, também conhecida como ouro de tolo.

Os elementos produzidos pelo intemperismo das geleiras drenam para os oceanos, assim como acontece com os rios. Só que a quantidade de carbontatos e sulfatos liberados pelas geleiras avaliadas no estudo foi maior do que o liberado pelos rios. No caso dos sulfatos, o processo causa sua oxidação, o que pode interferir na qualidade das águas dos oceanos, especialmente em relação à alcalinidade.

O estudo avaliou então o período das glaciações, durante os quais o volume das geleiras aumenta dramaticamente e, portanto, também o processo erosivo das rochas. A conclusão foi de que, durante as glaciações, as geleiras produzem em longo prazo uma quantidade de sulfato grande o suficiente para alterar a composição química dos oceanos.

A alteração provocaria a liberação para a atmosfera de CO2 dissolvido nas águas do oceano. O cálculo preliminar dos pesquisadores indicou que, ao longo de 10 mil anos, a interferência das geleiras faria com que os oceanos liberassem cerca de 25 ppm de CO2 para a atmosfera. Por ser um gas de efeito estufa, o aumento das concentrações atmosféricas de CO2 inibiria em parte o progresso da glaciação.

As reações químicas associadas ao intemperismo das geleiras eram usualmente conhecidas por sequestrarem carbono da atmosfera. O estudo adicionou maior complexidade a essa teoria, analisando as relações das geleiras com os oceanos e a atmosfera e seus efeitos de longo prazo.

Mais informações: Glacial weathering, sulfide oxidation, and global carbon cycle feedbacks
Fonte: Phys
Imagem: Pixabay