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Indústrias chinesas vulneráveis ao aquecimento global

O aumento das temperaturas provocado pelo aquecimento global pode prejudicar a produtividade industrial chinesa, sugere estudo de pesquisadores dos Estados Unidos e da China. Em um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, a diminuição da produção do setor industrial chinês seria significativa.

Era reconhecido anteriormente que altas temperaturas interferiam na atividade econômica. As análises se baseavam na análise da produtividade dos trabalhadores. Em situações de forte calor, as pessoas trabalham de forma menos produtiva. Os pesquisadores realizaram uma avaliação mais abrangente. Incluíram não apenas os efeitos do calor sobre os trabalhadores, mas também sobre o funcionamento de máquinas e equipamentos.

O estudo investigou dados de produção de cerca de meio milhão de fábricas chinesas. Eles avaliaram a produtividade das fábricas ao longo do período compreendido entre 1998 e 2007. Depois compilaram informações de 400 estações climáticas distribuídas por todo o território da China, checando impactos da temperatura no desempenho produtivo, nos insumos e nos fatores de produção.

A partir daí, utilizaram as projeções de um modelo climático das condições climáticas da China entre os anos de 2040 e 2059, considerando um cenário de altas emissões. A fim de avaliar os impactos das alterações da temperatura na indústria, os pesquisadores assumiram a hipótese de que nenhuma medida de adaptação teria sido implementada.

Os resultado indicaram que até 2040-2059 as mudanças climáticas reduziriam anualmente em 12% a produção industrial chinesa. Equivaleria a uma perda de quase US$ 40 bilhões por ano. Tendo em vista que o setor industrial responde por 32% do PIB chinês, a queda corresponderia a 4% do PIB por ano.

Por constituir a fábrica do mundo, somando 12% das importações globais, os pesquisadores apontaram que as conseqüências econômicas da queda de produtividade na China afetaria a economia mundial. Os resultados se deveram pela ampla distribuição dos impactos por diferentes perfis de fábricas.

Indústrias de baixa tecnologia, intensivas em trabalho, perderiam por causa da menor produtividade dos trabalhadores. Mas aquelas de alta tecnologia e de capital intensivo também se mostraram tão sensíveis às mudanças climáticas quanto as primeiras.

Os pesquisadores ressaltam que medidas de adaptação às mudanças climáticas na indústria devem considerar simultaneamente dois fatores: minimizar a vulnerabilidade dos trabalhadores e das máquinas e equipamentos ao calor extremo. Também indicam o desenvolvimento de políticas climáticas mais rigorosas.

Fonte: Universidade de Santa Bárbara
Mais informações: Temperature effects on productivity and factor reallocation: Evidence from a half million chinese manufacturing plants
Imagem: Pixabay

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