Press "Enter" to skip to content

Indicadores do clima em 2016 exibem as marcas do aquecimento global

Publicado pela Sociedade Americana de Meteorologia – AMS na sigla em inglês, o relatório intitulado o Estado do Clima (State of the Climate) confirmou que 2016 foi o ano mais quente desde que os registros começaram há 137 anos atrás. Elaborado com a participação de cerca de 500 cientistas de mais de 60 países, o relatório traz as principais informações sobre os principais indicadores do sistema climático, a partir de dados coletados por estações de monitoramento e instrumentos. A AMS publica esse tipo de relatório desde o ano de 1990.

A concentração atmosférica de gás carbônico – CO2 – continuou a tendência positiva, subindo 3,5 partes por milhão – ppm – em comparação com o nível médio observado em 2015. Esse foi o maior aumento anual já registrado nos 58 anos em que o gás atmosférico tem sido monitorado. A concentração média de CO2 passou para 402,9 ppm em 2016 (gráfico abaixo), quantidade que, segundo estudos em geleiras, não se verificara nos últimos 800.000 anos.

Concentrações atmosféricas de CO2 (gráfico elaborado por NOAA Climate.gov)

O ano de 2016 apresentou a maior temperatura média global da superfície terrestre, superando o recorde obtido no ano anterior, em 2015 (gráfico abaixo). Um forte El Nino contribuiu para que as temperaturas ficassem elevadas. Muitas regiões do planeta, como o Alasca, a Europa Central, a China e a Austrália experimentaram um número recorde de dias de calor extremo. Outro recorde foi a temperatura registrada na baixa troposfera.

Temperatura média global da superfície terrestre em relação ao período de 1981-2010 (gráfico elaborado por NOAA Climate.gov, adaptado da Figura 2.1a do relatório Estado do Clima)

Os sinais do aquecimento também se observaram nos oceanos, que absorvem mais de 90% do excesso de energia acumulada pelo sistema climático. O nível do mar continuou a subir pelo sexto ano consecutivo. A tendência de incremento da energia térmica na camada superior dos oceanos, de até 700 metros de profundidade, manteve-se inalterada (primeiro gráfico a seguir). Apesar de acumular energia em um ritmo mais lento, crescimento também tem sido registrado para a camada inferior dos oceanos (segundo gráfico a seguir).

Temperatura média global da superfície dos oceanos em relação ao período de 1981-2010 (gráfico elaborado por NOAA Climate.gov, adaptado da Figura 2.1e do relatório Estado do Clima)

 

Comparação do aumento da temperatura média global da camada superficial – cores vermelhas – e profunda – cores laranjas – dos oceanos em relação ao ano de 1993 (gráfico elaborado por NOAA Climate.gov, adaptado da Figura 3.16a-b do relatório Estado do Clima)

O aquecimento provocou a diminuição do gelo marinho Ártico em termos de área e espessura. A extensão máxima do gelo foi a menor registrada, igualando-se ao que foi observado em 2015 e 7% menor do que a média do período entre 1980 e 2010. A extensão mínima equivaleu à de 2007 e foi a segunda mínima observada, 33% menor do que a média. Na Antártica, ocorreu uma retração da extensão mínima do gelo marinho para níveis que ainda não haviam sido registrados. Retração continou inalterada para as geleiras ao redor do globo.

Perda de massa anual – barras azuis – e perda de massa acumulada – linha vermelha – de 44 geleiras monitoradas. Dados de 2016 são preliminares (gráfico elaborado por NOAA Climate.gov, adaptado da Figura 2.13 do relatório Estado do Clima)

Mais informações: State of the Climate in 2016
Fonte: NOAA
Imagem: Freeimages / Gráficos retirados de NOAA

%d blogueiros gostam disto: