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Incertezas ligadas à meta do acordo de Paris

Mesmo se o aquecimento global for limitado a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, conforme estabelecido no acordo climático de Paris, as consequências variarão significativamente dependendo da forma como a meta for alcançada, apontou estudo de um time internacional de cientistas.

Firmado em 2015, o acordo de Paris estabeleceu a meta de limitar a elevação da temperatura média global a bem menos do que 2°C, com os países envidando esforços para que fosse de 1,5°C.

Essa forma de abordar a mitigação do aquecimento global apresenta limitações, afirmou o estudo. Ela é ilusoriamente simples e pode dar uma impressão simplificada das mudanças climáticas e das possíveis trajetórias de redução de gases de efeito estufa.

Como exemplo, o estudo citou que alguns cenários consistentes com a meta de 1,5°C, devido às incertezas na relação entre as emissões e o aumento da temperatura média global, apresentam um grande risco de impactos.

Os cientistas lembraram que a temperatura média global é um produto da ciência. Trata-se de um indicador, calculado pela comunidade científica a partir de observações da temperatura do ar e da superfície dos oceanos ou a partir de modelos climáticos.

A temperatura média global considera um determinado período de tempo, de acordo com o propósito, incluindo médias mensais, anuais ou por década. No caso do estudo do clima, em geral se utiliza a referência proposta pela Organização Mundial de Meteorologia, calculando-se a temperatura como a média de um período de 30 anos.

Além de um período de tempo no passado, deve-se adotar também outra referência, no futuro. Mas um aspecto relevante surge no que diz respeito tempo futuro. Os cenários serão bastante distintos um dos outros, dependendo tanto da extensão de tempo analisada quanto do caminho pelo qual a meta é alcançada.

No primeiro caso, trata-se da diferença entre estudar os impactos do aumento de 1,5°C até meados deste século, ou os impactos do aumento somente em 2.100, ou então os impactos do aquecimento ao longo de milênios. Uma vez que a resposta temporal dos distintos componentes do sistema climático ao aquecimento varia, haverá diferenças substanciais nos riscos entre os cenários.

O mesmo ocorre em relação ao caminho percorrido até que a meta seja alcançada. Os riscos variarão entre cenários em que a temperatura média global nunca ultrapasse 1,5°C e cenários nos quais ela suba acima desse patamar e depois retorne à ele.

Mapa com projeções de temperaturas médias anuais (a,b), temperatura máxima diária (c, d) e temperatura mínima noturna (e, f) em um cenário de 1,5oC. Fonte: figura 4 do estudo.

E para cada uma desse conjunto de possibilidades do futuro, os riscos variarão também em escala regional, devido à influência do ritmo do aquecimento, ao modo de expressão local das alterações climáticas, e às interações com a mitigação, adaptação e vulnerabilidades da sociedade.

Dessa forma, os riscos dependem também da variabilidade natural e regional do sistema climático.

Os cientistas ressaltaram que a meta de 1,5°C evitará riscos mais graves associados a níveis mais altos de aquecimento global. No entanto, isso não garantirá a ausência de riscos escala regional. E cenários identificados como consistentes com a meta de 1,5°C , mas que dependem de tecnologias de sequestro de carbono, também estão expostos a riscos de uma falha de implementação das mesmas.

Para limitar o aquecimento a menos de 1,5°C ou a 2°C, é urgente reduzir as emissões de dióxido de carbono – CO2 – e outros gases de efeito estufa. No mais tardar, as emissões globais precisam cair a partir de 2020.

Mais informações: The many possible climates from the Paris Agreement’s aim of 1.5 °C warming
Imagem: figura 1 do estudo – possíveis trajetórias de estabilização da temperatura média global em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. O aquecimento atual corresponde a 1°C.

One Comment

  1. […] O objetivo dos cientistas foi investigar as interferências no padrão das chuvas dos trópicos nos cenários de aumento da temperatura em 1,5°C e 2°C acima dos níveis pré-industriais. Dessa forma, contribuiria para informar as diferenças entre os impactos das duas metas estabelecidas pelo acordo climático de Paris. […]

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