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Incêndios se intensificaram em climas quentes e úmidos

Não foi durante os períodos mais secos que o regime de incêndios no hemisfério norte se intensificou. Ao analisar um registro paleoclimático dos últimos 600 mil anos, estudo de pesquisadores da Alemanha identificou que os incêndios se intensificaram durante períodos relativamente úmidos e quentes.

Em geral, incêndios e queimadas estão concentrados no período seco. Por exemplo, no Brasil o maior número de queimadas ocorre na estiagem, estendendo-se de junho a dezembro, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial – INPE. Em geral, os focos são originados por atividades como a agricultura.

Mas a seca constitui somente um fator para a origem de queimadas. A fim de compreender melhor o fenômeno, os pesquisadores alemães investigaram como a frequência e intensidade dos incêndios havia se alterado nos últimos milhares de anos.

Eles perfuraram depósitos de sedimentos com 220 metros de espessura no fundo do Lago Van, na região leste da Turquia. Através da análise de pólen presente nas camadas do sedimento, o estudo estabeleceu as espécies de plantas presentes na região ao longo do tempo, bem como as condições climáticas.

Também foi desenvolvido um método para analisar resíduos de fogo no sedimento. Ao medir a idade de cada uma das camadas de sedimento, os pesquisadores reconstruíram tanto as condições ambientais, os tipos de vegetação e a frequência e intensidade das queimadas nos últimos 600 mil anos.

A expectativa era de que o fogo aumentasse durante as épocas de clima mais seco, reproduzindo o que acontece no presente. Mas os resultados mostraram que o regime de incêndios se acentuava em momentos nos quais o clima regional se tornava mais úmido e quente.

O estudo indicou que esse tipo de clima favorecia o crescimento da vegetação das estepes e das florestas de árvores coníferas no hemisfério norte. O principal fator de recrudescimento dos incêndios seria a quantidade de biomassa produzida em função da temperatura e da precipitação.

Observou-se que o regime de incêndio se intensificava significativamente em um ciclo de 100 mil anos. A variação estaria ligada aos ciclos de Milankovic, que condicionam as variações entre períodos de glaciação e períodos interglaciais.

Os incêndios mostram um ciclo peculiar: a cada 100.000 anos havia incêndios particularmente violentos. Isso provavelmente está relacionado aos chamados . Estas se referem às flutuações regulares da órbita da Terra, que resultam em maior irradiação em nosso planeta nesse ritmo.

A biomassa presente no hemisfério norte variava em resposta ao ciclos das glaciações. Durante momentos quando o clima regional aquecia e ficava mais úmido – o último ocorreu a cerca de 11 mil anos atrás -, a vegetação crescia em abundância e, com ela, os incêndios.

É possível que a variação do regime de incêndios tenha sido em escala global. Mas essa hipótese depende de novas pesquisas, em outras partes do mundo, para que ser confirmada.

Os pesquisadores ressaltaram para as implicações das descobertas do estudo, tendo em vista o processo atual de aquecimento global. Em um clima mais quente, o risco de incêndios florestais nas estepes e florestas do hemisfério norte subirá/

Fonte: Universidade Bonn
Imagem: Pixabay

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