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Imposto sobre o carbono deve ser combinado com outras políticas

A implementação de uma taxa sobre o carbono ajuda a diminuir as emissões, mas não será suficiente para zerar a liberação de gases de efeito estufa pelas atividades humanas. Estudo de pesquisadores de universidades dos Estados Unidos e da Noruega alertou para a necessidade de combinar a precificação do carbono com outros políticas climáticas.

De acordo com o estudo, o instrumento econômico mais recomendado para estimular a redução das emissões tem sido a precificação do carbono. Todavia, evidências apontam que esse tipo de instrumento traz somente reduções incrementais, pois está voltado para a redução de custos na margem. 

Evitar as consequências perigosas do aquecimento global exigirá eliminar as emissões humanas de gases de efeito estufa. Os pesquisadores afirmaram que se faz necessário uma transformação por atacado, estrutural, da economia.

Nesse sentido, eles investigaram a efetividade da precificação do carbono para reduzir as emissões. Para tanto, revisaram a literatura científica a respeito de iniciativas existentes nas quais se estabeleceu um preço para as emissões de gases de efeito estufa, analisando suas limitações.

As experiências com impostos ou taxas sobre o carbono demonstraram um potencial para diminuir as emissões. Contudo, estudos identificaram que as emissões totais podem subir, mesmo com a precificação de carbono em funcionamento.

O estudo citou o exemplo da Suécia, país que institui um dos impostos de carbono mais altos do mundo, de US$ 140 por tonelada de CO2. As emissões dos setores afetados pelo imposto diminuíram apenas de forma incremental e não foram consistentes com uma trajetória de profunda de descarbonização.

Em seu último relatório, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês – propôs, a partir de modelos econômicos, que para limitar o aquecimento global o preço do carbono em 2020 deveria ser entre US$ 37 e US$ 67 por tonelada de CO2.

Os pesquisadores ressaltaram que preços bem maiores, que corresponderiam a cenários extremamente ambiciosos dos modelos utilizados pelo IPCC, são atualmente praticados. Os efeitos no mundo real, no entanto, divergem significativamente dos níveis de abatimento das emissões projetados pelos simulações. 

A constatação do estudo coloca em séria dúvida os modelos econômicos utilizados pelo IPCC.

A conclusão do estudo foi que a precificação de carbono não consiste em uma inovação nem leva a uma transformação sistêmica. Antes, ele pode ser um instrumento útil para incentivar a otimização marginal em contextos específicos, como, por exemplo, a substituição de fontes fósseis no setor elétrico.

Também complementaria outras políticas climáticas, incentivando a redução das emissões em áreas onde outros instrumentos falham. A aplicação do imposto do carbono demanda tempo, de modo a se aumentar a tolerância a preços maiores, quando então todo o seu potencial de mitigação poderia ser realizado.

A precificação do carbono também seria efetiva para os investidores. Sinalizaria que investimentos de longo prazo teriam de considerar expectativas futuras de restrições de carbono.

Mais informações: Carbon pricing and deep decarbonisation
Imagem: Unsplash/ rawpixel

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