Press "Enter" to skip to content

Importância da energia solar para redução de gases de efeito estufa no Brasil

O setor energético está internamente ligado ao aquecimento global. A queima de combustíveis fósseis para fins energéticos é a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, IPCC na sigla em inglês, estima que cerca os combustíveis fósseis e a produção de cimento produziram 68% de todo o CO2 emitido para a atmosfera entre 1750 e 2011.

Mitigar o aquecimento global implica em diminuir as emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera, sendo imprescindível buscar alternativas energéticas à queima de combustíveis fósseis. Em comparação com outros países, o Brasil se encontra em situação vantajosa, uma vez que a maioria da eletricidade consumida no país vem de usinas hidrelétricas. Mas há ainda outro grande potencial energético, ainda muito pouco explorado no país, para geração de energia com baixas emissões: a energia solar.

Apesar de ser banhado de sol, com uma irradiação solar média na faixa de 1500-2400 kWh/m2/ano, a participação de energia solar na matriz elétrica brasileira era de inexpressivos 0,02% em 2015. Na Alemanha, onde a irradiação solar média é significativamente menor, na faixa entre 900-1250 kWh/m2/ano, a energia solar contribuiu no mesmo ano com 5% da eletricidade gerada no país.

Uma análise de pesquisadoras da Universidade Federal da Paraíba e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia quantificou as emissões de gases de efeito estufa associadas ao consumo de 1 kWh de eletricidade no Brasil nos anos de 2001 e de 2006 a 2015. Aplicando a metodologia de avaliação do ciclo de vida das diferentes fontes energéticas, investigaram o impacto que a maior participação da energia solar na matriz elétrica teria sobre o total de emissões.

Para o ano de 2001, a análise calculou que foram produzidos 0,194 kgCO2-eq por cada kWh consumido. Os maiores níveis de emissão foram registrados em 2014 e 2015, totalizando respectivamente 0,308 e 0,299 kgCO2-eq por cada kWh de eletricidade. O aumento se deu por causa da seca desses anos, que resultou em um aumento da produção de energia pelas usinas termelétricas.

A fim de avaliar o impacto da energia solar nas emissões de gases de efeita estufa, as pesquisadoras elaboraram um cenário de geração de energia elétrica para o ano de 2024. Com a introdução de 1,6 TWh de geração fotovoltaica residencial e comercial, projetou-se uma redução das emissões para 0,255 kg CO2-eq/kWh, mesmo com a expansão da geração de eletricidade.

O estudo ressalta que a energia solar representa a principal estratégia para que as emissões associadas ao consumo de eletricidade no Brasil permaneçam baixas no futuro. Todavia, esse recurso natural amplamente disponível no país apresenta, segundo o estudo, baixo potencial de implantação, dada as projeções para a matriz elétrica brasileira nos próximos anos.

Mais informações: Potential of photovoltaic solar energy to reduce the carbon footprint of the brazilian electricity matrix
Imagem: Pixabay

 

Comments are closed.

%d blogueiros gostam disto: