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Impermeabilização eleva a magnitude de cheias comuns

Cidades e centros urbanos podem sofrer com inundações. Usualmente, atribuía-se à impermeabilização dos solos uma parcela da culpa na magnitude de cheias. Mas o quanto a impermeabilização podia contribuir para as enchentes não era ainda precisamente definido.

Estudo de um grupo de cientistas dos Estados Unidos tentou quantificar em maior detalhe a relação entre os dois fatores. Eles identificaram que o aumento da impermeabilização dos solos leva em média a um aumento três vezes maior na magnitude das cheias.

Segundo o estudo, diversas pesquisas anteriores reconheceram o efeito sobre inundações de superfícies impermeáveis. Entre as últimas, incluem-se, entre outros, as ruas e avenidas, as edificações e telhado, os estacionamentos. Tais superfícies diminuem a infiltração da água da chuva nos solos, elevando o escoamento superficial e as cheias de cursos d’água.

Evidências sugerem que o efeito da impermeabilização é maior em inundações frequentes, como aquelas anuais. E mais ameno para cheias extremas, como enchentes com frequência esperada de uma vez a cada 100 anos. Isso porque, no casos extremos, o solo se torna saturado pela água da chuva e passa agir como uma superfície impermeável.

As estimativas existentes sobre os efeitos da impermeabilização na magnitude de enchentes variavam significativamente. A escala ia de nenhuma efeito de superfícies impermeáveis sobre a magnitude de enchentes a um incremento de 10 vezes nas cheias associadas a cursos d’água.

Calcular a relação entre os dois fatores esbarrava na complexidade do problema. A vazão dos recursos hídricos está associada a múltiplos aspectos. Por exemplo, o clima e sua variabilidade natural, os usos da água na bacia hidrográfica, o uso e ocupação da área rural, a implantação de barragens. Nesse sentido, identificar a influência de alterações na cobertura impermeável sobre as inundações era bastante desafiador.

Buscando superar as limitações das pesquisas anteriores, os cientistas desenvolveram uma nova abordagem. O objetivo foi isolar os efeitos de alterações na superfície impermeável de cidades, levando-se em consideração modificações no espaço e no tempo introduzidas por outros elementos.

Foram utilizados dados de 280 estações de monitoramento do fluxo da água de rios nos Estados Unidos. O período analisado compreendeu os anos entre 1974 e 2012. A partir daí, os cientistas calcularam o efeito causal médio de alterações na superfície impermeável sobre as inundações.

O estudo calculou que, para cada 1% de aumento na superfície impermeável de uma bacia hidrográfica, verificou-se um aumento de 3,3% na magnitude das cheias anuais. Quando considerado os dados de uma rede mais abrangente de estações de monitoramento, o efeito se mostrava maior, quase 5%.

Os resultados ainda apresentam limitações, alertaram os cientistas. A abordagem pode ser aplicada de forma pormenorizada em bacias hidrográficas específicas, incluindo uma quantidade maior de detalhes sobre a região. com mais detalhes em cada bacia hidrográfica.

Compreender os fatores associadas às enchentes ajudará na adaptação ao futuro. No qual o clima em mudança exercerá influência mais aguda sobre a vazão dos cursos d’água e eventos extremos.

Mais informações: Blum, A.G., Ferraro, P.J., Archfield, S.A. and Ryberg, K.R., 2020. Causal effect of impervious cover on annual flood magnitude for the United StatesGeophysical Research Letters.
Imagem: figura 3 do estudo – gráfico da estimativa do efeito na mudança de superfícies impermeáveis sobre a magnitude de enchentes (linha preta)

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