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Impactos de um desmatamento total da Amazônia

Iniciativa da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo – USP, a série USP Talks traz professores da universidade para abordar temas de interesse da sociedade. Através de eventos mensais, o objetivo é aproximar a comunidade científica e acadêmica da sociedade.

No vídeo acima, o professor de Ecologia do Instituto de Biociências da USP, Jean Paul Metzger, explica o uso de modelos e cenários futuros pela ciência climática para explorar as consequências do aquecimento global.

Segundo o professor, uma dos principais ensinamentos da literatura científica é de que “não existe futuro possível, plausível, de bem-estar humano sem natureza. Nós dependemos fortemente da natureza”. E para ilustrar essa dependência, ele discute o cenário de desmatamento total da Amazônia.

O que aconteceria com o planeta Terra sem a floresta amazônica? Em primeiro lugar, o corte total da floresta emitiria largas quantidades de gases de efeito estufa. Corresponderia a aproximadamente 15 anos de todas as emissões globais somadas.

Com isso, o efeito estufa seria ainda mais intensificado, elevando a temperatura global em cerca de 0,25ºC. Localmente, o desmatamento total elevaria as temperaturas média na região amazônica entre 4ºC a 5ºC. Tal grau de aquecimento inviabilizaria a manutenção de praticamente todas as espécies presentes atualmente na floresta.

Além do calor excessivo, o desmatamento total da Amazônia interferiria fortemente no regime de chuvas do Brasil. “A expectativa é que a gente teria uma redução de 30% das chuvas na Amazônia, e de 25% das chuvas no Brasil como um todo”, afirmou o professor. A redução implicaria em problemas graves para a matriz elétrica do país, baseadas em hidroeletricidade.

A produção de alimentos nacional, altamente ligada à precipitação, experimentaria impactos da escassez de chuvas, bem como o abastecimento de água para centros urbanos. Sem a Amazônia, as secas prolongadas se tornariam mais prováveis.

A Amazônia representa um bom exemplo de serviços ecossistêmicos, aos quais muitas atividades humanas estão ligadas. Outro exemplo dado pelo professor são as áreas de mangues, que servem de berçários para peixes, ou protegem a costa contra a erosão marinha, contra marés e enchentes.

“A natureza é parte da solução, e precisamos dela para um futuro de bem-estar”, enfatizou o professor.

Fonte: USP

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