Press "Enter" to skip to content

Impacto de eventos extremos no setor de energia

As mudanças climáticas podem alterar a frequência e a intensidade de eventos extremos, como ondas de calor e de frio. E uma das atividades vulneráveis às variações climáticas extremas é a produção e o consumo de energia, alerta artigo de cientistas espanhóis e italianos.

Os eventos extremos introduzem imprevisibilidade no sistema energético, pois tem a capacidade de influenciar simultaneamente da geração ao consumo. Entre os efeitos provocados, estão interferências na produção de eletricidade, no padrão e no pico de consumo de energia, volatilidade de preços e insegurança energética. Em situações de estresse, leva-se até mesmo ao apagão do sistema.

A partir de estudos de caso, o artigo detalhou os impactos de ondas de calor e de frio no sistema de geração de eletricidade. Discutiu também as formas pelas quais as mudanças climáticas influenciaram os eventos climáticos extremos, e quais as projeções para as décadas seguintes. Fatores que possibilitem a adaptação do setor e aumentem a resiliência foram identificados.

Os cientistas notaram que dados estatísticos, como tempo de recorrência de eventos como ondas de calor, irão ser alterados com a mudança climática. Dessa forma, cria-se incerteza no planejamento de nova infraestrutura de geração de energia. Os dados estatísticos da série histórica não são mais suficientes para avaliar a eficiência física e a viabilidade econômica futura. A etapa de planejamento deve incluir métodos de avaliação das potenciais alterações e seus impactos.

Observou-se que eventos climáticos singulares trazem um risco menor do que eventos compostos. Isso inclui dois ou mais eventos extremos simultâneos ou sucessivos, a combinação de eventos extremos com condições climáticas que os amplifiquem, ou a combinação de condições climáticas normais que levem em conjunto a um resultado extremo.

Um exemplo de evento composto é a ocorrência de uma onda de frio durante um período de seca prolongada. Menor disponibilidade hídrica para geração de energia, combinada com aumento da demanda por causa do frio, poderia resultar em uma situação extrema. A recomendação dos cientistas é a inclusão, nas análises climáticas e econômicas, de cenários de eventos compostos e seus impactos.

O artigo também identificou que cortes de energia durante ondas de calor ou de frio geralmente envolveram o aumento da demanda por eletricidade. Nesse sentido, os picos de demanda constituem um fator fundamental para o desenvolvimento de ações de mitigação e de resiliência.

Uma das principais medidas citadas são programas de eficiência energética. Outra constitui a diversificação das fontes de geração, de modo a reduzir o risco de interrupções de energia. O setor de energia, incluindo o Estado e as empresas privadas, também deve se preparar por meio de avaliações de vulnerabilidade e planos de resiliência.

Previsões sazonais e relacionadas a fenômenos como El Niño-La Niña, de significativa influência no clima, devem ser incorporadas no gerenciamento do setor. Os artigo também recomenda que, no futuro próximo, o monitoramento diário da geração de energia inclua, de forma automática, considerações sobre os efeitos potenciais de eventos extremos.

O setor de energia, concluiu o estudo, precisa se adaptar às mudanças climáticas. Assim reduzirá riscos de apagões e aumentará a resiliência. Ainda há muito espaço para melhorias no gerenciamento do setor.

Mais informações: Impact of Cold Waves and Heat Waves on the Energy Production Sector
Imagem: Freeimages

Comments are closed.

%d blogueiros gostam disto: