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O que são os ciclos de Milankovitch?

A quantidade de energia do sistema climático é condicionada pelo balanço energético do planeta – a troca de energia entre a Terra e o espaço. Há três formas pelas quais o balanço energético pode mudar:

  1. por causa de variações na radiação solar ou na insolação;
  2. por causa de variações na fração da radiação solar que é refletida de volta ao espaço pelo sistema climático sem ser absorvida – o albedo;
  3. e por causa de variações na quantidade de energia emitida para o espaço, na forma de radiação infravermelha, pelos componentes do sistema climático. É o caso, por exemplo, de alterações no efeito estufa.

Alterações na quantidade de energia do sistema climático podem levar à mudanças significativas em seus componentes.

Nos últimos três milhões de anos, o sistema climático entrou em uma fase de ciclos regulares de eras do gelo. A descoberta das glaciações estabeleceu as bases para o estudo das mudanças climáticas e suas explicações.

Evidências sugerem que as glaciações estão associadas à variações na insolação da luz solar. Essa variações são provocadas por alterações na inclinação (letra T da imagem acima) e na precessão (letra P) do eixo terrestre, e por alterações na excentricidade da órbita (letra E).

As alterações na inclinação, precessão e órbita podem ser calculadas com precisão astronômica e são denominadas como ciclos de Milankovitch. Os ciclos provocam uma mudança na distribuição da quantidade de radiação solar recebida em cada latitude, em cada estação do ano. A quantidade média de radiação que chega no planeta continua a mesma.

A hipótese é de que a quantidade de radiação solar durante o verão do hemisfério norte é crucial para iniciar as glaciações. Quando, nos ciclos de Milankovitch, o hemisfério norte passa a ser banhado, durante o verão, por uma quantidade de radiação solar abaixo de um nível crítico, a neve do inverno deixa de ser completamente derretida. Dessa forma, a neve se acumula de um ano para o outro, e uma camada de gelo começa a se formar.

Há, no entanto, outro fator que contribui para a formação das eras do gelo. Dados obtidos em registros paleoclimatológicos, como núcleos de gelo, indicam que as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 – diminuem nas glaciações e sobem nos períodos interglaciais.

Uma vez que o CO2 é um gás de efeito estufa, a alteração de suas concentrações atmosféricas interferem na quantidade de energia emitida para o espaço na forma de radiação infravermelha.

O resfriamento inicial do sistema climático, condicionadas pelos ciclos de Milakovitch, é subsequentemente amplificado pela queda na concentração de CO2. O aquecimento global, no final da glaciação, é intensificado pelo aumento do CO2 da atmosfera.

Fonte e gráfico: IPCC AR4

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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