Press "Enter" to skip to content

Imagem da baleia-franca do norte do Atlântico

À medida que o aquecimento global se acelera, ecossistemas ao redor do mundo serão empurrados para novos estados. Estratégias de conservação baseadas em padrões históricos se tornarão pouco eficazes, como no caso da baleia-franca, apontou estudo de um time internacional de cientistas.

Um dos exemplos de alterações em ecossistemas provocadas pelo aquecimento global pode ser encontrado no Golfo do Maine, região do Oceano Atlântico localizada no nordeste da América do Norte. Segundo o estudo, os padrões de circulação de correntes do norte do Oceano Atlântico se modificaram devido ao aquecimento.

Como resultado, a temperatura da camada mais profunda da água subiu quase duas vezes mais rapidamente do que a temperatura da camada superficial. Com isso, caiu dramaticamente a população local de um crustáceo microscópico, base da alimentação das baleias-francas.

A queda brusca na fonte de alimento tem levado à uma mudança no comportamento das baleias-francas do Golfo de Maine. O padrão de quando e onde as baleias aparecem, que era registrado desde o início do monitoramento dos animais há décadas atrás – elas migravam no outono para se preparar para a estação do inverno -, ocorre agora de forma diferente.

Sem o crustáceo, as baleias-franca precisam buscar alimento fora do Golfo de Maine. O problema é que a região constitui uma área de conservação das baleias. Mas elas abandonam o golfo a fim de buscar alimentos em outras áreas, ficando mais vulneráveis à ameaças como equipamentos de pesca e navios.

Ao perder sua capacidade de forrageamento, obrigando as baleias-franca a procurar outros locais de alimentação, a eficácia da área de conservação do Golfo de Maine diminuiu. Nesse sentido, os cientistas estão investigando novos habitats nos quais a temperatura da água, a presença dos crustáceos e das baleias apresente características ideias para a criação de áreas de conservação marinha.

A gestão e o manejo atuais de áreas de conservação devem se adaptar aos tempos de mudanças climáticas. Será preciso antecipar as possíveis alterações nos ecossistemas, estabelecendo novas áreas de modo a viabilizar a conservação de espécies da flora e da fauna.

A era das áreas de conservação estáticas parece estar chegando ao fim.

Mais informações: Record, N.R. et. al. 2019. Rapid climate-driven circulation changes threaten conservation of endangered North Atlantic right whales. Oceanography 32(2):162–169.
Imagem: NOAA/NMFS

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
%d blogueiros gostam disto: