Press "Enter" to skip to content

Groenlândia já foi mais quente do que o suposto

A Groenlândia experimentou no passado temperaturas mais altas do que o suposto anteriormente, sugere estudo de cientistas de universidades dos Estados Unidos. A região pode ser mais sensível ao aquecimento global do que o previsto.

O estudo reconstruiu as temperaturas médias do noroeste da Groenlândia durante dois períodos do passado terrestre: o início do Holoceno, entre 8 e 11 mil anos atrás, e o último período interglacial, entre 116 e 130 mil anos atrás.

Em ambos os períodos, o aquecimento na região do Ártico ocorreu sob a influência dos ciclos de Milankovitch, pequenas variações na órbita e no eixo do planeta que controlam a ocorrência de glaciações.

O estudo foi possível por que os pesquisadores descobriram um pequeno lago no noroeste da Groenlândia no qual os sedimentos estavam excepcionalmente bem preservados. Assim como os núcleos de gelo, os sedimentos se formam a partir do acúmulo de camadas anuais de material.

Com isso, por meio da análise dos sedimentos em laboratório, os pesquisadores puderam extrair informações a respeito das condições climáticas do passado remoto. O lago descoberto no noroeste da Groenlândia trazia sedimentos datados de milhares de anos atrás.

Ao analisar camadas correspondentes ao início do Holoceno, foi identificado a presença de espécies de lagartas chamadas de chironomídeos. Em camadas do último período interglacial, não apenas as lagartas estavam presentes, mas também outro tipo de inseto, uma espécie de mosquito encontrada atualmente a mais de 1.000 quilômetros ao sul, na província de Labrador, no Canadá.

Atualmente, a temperatura no noroeste da Groenlândia flutua em média entre -1oC e 4,5oC, experimentando tempestades de neve durante o verão. Não é possível aos insetos sobreviver sob essas condições. Dessa forma, a análise dos sedimentos sugere que durante o início do Holoceno e no último período interglacial, as temperaturas na região subiram acima de 10oC.

Os resultados reforçam outras evidências obtidas a partir de núcleos de gelo em regiões próximas, e que eram controversas no meio científico. Em parte porque os modelos climáticos não simulavam temperaturas tão altas para a região nos dois períodos de tempo considerados.

A descoberta do estudo tem grande importância para o aumento do nível do mar. No último período interglacial, estima-se que o nível do mar subiu entre 4 e 10 metros acima do nível atual. Grande parte do aumento seria devido ao derretimento parcial das calotas polares da Groenlândia e da Antártica.

Em função das maiores temperaturas, os pesquisadores sugeriram que a maior contribuição pode ter sido pelo derretimento da calota polar da Groenlândia.

O estudo poderá auxiliar no aprimoramento dos modelos climáticos, de modo a melhorar as projeções de como a calota polar da Groenlândia responderá ao aquecimento global. 

Produzido pela Universidade de Northwestern, o vídeo abaixo traz uma autora do estudo, a professora de Ciências  da Terra Yarrow Axford, apresentando um resumo dos resultados.

Fonte: Universidade de Northwestern
Imagem: Unsplash/ Alexandra Rose

%d blogueiros gostam disto: