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Gráfico do CO2 nos últimos 400 milhões de anos

Uma das formas de compreender o sistema climático terrestre é através da paleoclimatologia. Esse ramo da ciência busca compreender as condições ambientais do passado, de séculos a milhões de anos atrás.

Os estudos da paleoclimatologia foram fundamentais na compreensão de como o sistema climático se altera ao longo do tempo. Eles se baseiam, em grande medida, no levantamento de arquivos paleoclimáticos.

Os arquivos compreendem um conjunto de informações que dão um testemunho indireto das condições climáticos do passado. Incluem, entre outros, registros e documentos históricos, fósseis, anéis de árvores, sedimentos e núcleos de gelo.

Por meio do levantamento e análise dos arquivos paleoclimáticos, identificou-se que modificações no sistema climático estiveram associadas às concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2, o principal gás de efeito estufa.

No passado geológico da Terra, as épocas denominadas de estufa, nas quais havia pouco ou nenhum gelo sobre a superfície, apresentavam elevadas concentrações atmosféricas de CO2.

As épocas glaciais – como o atual período geológico -, no qual se formam as geleiras e calotas polares, aconteceram em condições de baixo CO2 atmosférico.

Todavia, os arquivos paleoclimáticos apresentam limitações, e a reconstrução da evolução do sistema climático depende da combinação de diversas fontes diferentes. Para contribuir no estudo do passado da Terra, um grupo de cientistas dos Estados Unidos e da Holanda tentou elaborar uma reconstrução da temperatura média global a partir de um único tipo de arquivo.

Eles utilizaram o fracionamento isotópico da molécula de carbono, encontrada em fósseis de fitoplâncton marinho. A partir de um conjunto de 306 sedimentos e óleos marinhos, e de dados da literatura, o estudo produziu o gráfico (acima) das concentrações atmosféricas de CO2 nos últimos 400 milhões de anos.

As barras azuis claras mostram a extensão das massas de geleiras. O eixo da direita traz a concentração atmosférica de CO2 em partes por milhão – ppm. Observa-se que as épocas de glaciação tendem a ocorrer em momentos nos quais o CO2 atmosférico diminui abaixo de 1.000 ppm.

Mais informações: Witkowski, C. R., Weijers, J. W., Blais, B., Schouten, S., & Damsté, J. S. S. (2018). Molecular fossils from phytoplankton reveal secular Pco2 trend over the PhanerozoicScience advances4(11), eaat4556.
Gráfico: figura 3 do estudo

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