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Globalização coloca em risco o acordo de Paris

As emissões de dióxido de carbono – CO2 – associadas às exportações chinesas diminui ou está começando a cair, afirma estudo de pesquisadores da China, dos Estados Unidos e do Reino Unido. Mas isso não significa necessariamente uma diminuição das emissões globais de gases de efeito estufa.

O estudo investigou as complexas cadeias de suprimento do comércio internacional. Foram utilizados dados disponíveis sobre comércio e sobre emissões de CO2 dos anos de 2004, 2007 e 2011. Rastrearam-se as emissões relacionadas a bens e serviços intermediários e finais de 57 setores industriais, envolvendo 101 países.

Entre 2005 e 2015, o  comércio internacional cresceu mais de 50%, liderado pelas exportações dos países em desenvolvimento. O estudo identificou que o comércio Sul-Sul subiu bem acima da média mundial, quase triplicando entre 2005 e 2015.

Dessa forma, o comércio Sul-Sul passou a responder por 57% de todas as exportações dos países em desenvolvimento em 2014, somando US $ 9,3 trilhões.

Acompanhando o crescimento do comércio, as emissões de CO2 incorporadas em bens e serviços exportados por países em desenvolvimento subiu 46% entre 2004 e 2011 – de 2,2 para para 3,3 gigatoneladas.

Se em 2004 apenas 20% das emissões incorporadas estava ligada a exportações Sul-Sul, em 2011 o número subiu para 30%. A maior parte continua sendo destinada aos países desenvolvidos.

Os pesquisadores sugerem que uma nova fase da globalização está em curso, representada pelo rápido crescimento do comércio Sul-Sul. Desde a crise financeira de 2008, verifica-se uma fragmentação das cadeias de suprimento globais.

As etapas de produção de muitas indústrias tem sido realocadas de países como a China e a Índia para economias com salários mais baixos. Entre eles, incluem-se Bangladesh, Indonésia, Vietnã e Tailândia. A tendência se concentra na produção de matérias-primas e bens intermediários de setores intensivos em energia.

As emissões de CO2 incorporadas à exportação chinesa atingira o pico devido à mudança na estrutura da produção do país, argumentam os pesquisadores. Por sua vez, as emissões incorporadas às exportações de outros países em desenvolvimento subiram.

As mudanças estruturais na economia mundial trazem sérias implicação para o sucesso do acordo climático de Paris, alerta o estudo. Elas alteram a magnitude e a distribuição espacial das emissões globais de CO2. Com isso, mitigar o aquecimento global dependerá cada vez mais da redução do crescimento da energia baseada no carvão em países que atravessam um processo de industrialização e urbanização.

Por enquanto, a tendência é de aumento de atividades de produção intensivas tanto em energia quanto em emissões. O sucesso do acordo climático internacional pode estar sob risco, caso as políticas climáticas não se tornem mais efetivas nos mercados emergentes.

Fonte: Universidade de East Anglia
Imagem: Freeimages

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