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Gestão compartilhada da água na América do Sul

É urgente discutir o gerenciamento eficaz e cooperativo dos recursos hídricos na América do Sul, alertou artigo de pesquisadores brasileiros. Medidas políticas comuns entre os países devem ser implementadas para minimizar o risco de conflitos, garantir o uso sustentável e a defesa do meio ambiente.

Frente ao contexto do aquecimento global, do crescimento das populações e dos padrões de produção e consumo, os pesquisadores apontaram que irão se ampliar as disputas entre os Estados Nacionais pelos recursos naturais. Ganha maior relevância a questão geopolítica.

Por exemplo, se um determinado Estado não possui, ou a ele é negado, um recurso, ele pode utilizar mecanismos de persuasão, inclusive a força, para garantir acesso ao mesmo. Pode ser o caso da água, lembrou o artigo, por causa de sua distribuição desigual ao redor do planeta.

Dados da Unesco indicam que dois terços da população mundial convive com situações de escassez de água ao menos por um mês durante o ano. E regiões que abrigam cerca de 500 milhões apresentam um consumo de água superior aos recursos renováveis localmente disponíveis.

Desde 1977, iniciativas internacionais tem sido desenvolvidas para tratar do tema da água, considerada um recurso finito, vulnerável e de alto valor econômico. Contudo, os avanços são pontuais. O artigo ressaltou que, até o momento, nenhuma convenção internacional específica sobre o tema foi implementada. Pelo contrário, muitos documentos internacionais ainda não foram ratificados e não entraram em vigência. 

Os pesquisadores indicaram que os recursos naturais constituirão cada vez mais elemento estratégico e de segurança internacional. As relações e disputas na área é chamada de geopolítica dos recursos naturais.

O tema é central para a América do Sul. A região conta com uma das maiores reservas mineirais e de petróleo do mundo, além de cerca de 30% dos recursos hídricos renováveis. A renovação natural anual de água doce é de mais de 20.000 m3 per capita.

Não por acaso, a União das Nações Sul-Americanas – Unasul – aborda o tema de forma estratégica. Segundo o artigo, a ênfase é na segurança internacional. A Unasul avalia que Estados Nacionais com demanda de recursos possam desestabilizar a região em busca dos mesmos. Por isso a preocupação com a garantia e o controle do acesso e da exploração dos recursos naturais pelos países da América do Sul.

Se o objetivo é promover a estabilidade, a água constitui um ponto crucial. Especialmente porque os países da América do Sul compartilham grande parte dos recursos hídricos da região. Ao todo, 25 bacias hidrográficas
transfronteiriças, entre elas a bacia do rio Prata e a bacia do rio Amazonas, além de 30 aquíferos.

Faltam acordos internacionais sobre o tema. A América do Sul precisa desenvolver esses instrumento o quanto antes, recomendaram os pesquisadores.

Mais informações: Geopolítica dos Recursos Naturais na América do Sul: um panorama dos recursos hídricos sob a ótica da Segurança Internacional
Imagem: Pixabay

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