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Gestão da água em tempos de mudanças climáticas

O acesso à água potável será um dos grandes desafios contemporâneos, diz artigo de cientistas dos Estados Unidos. Mais de 75% da superfície terrestre da Terra sofreu a influência das atividades humanas. Em regiões semi-áridas e áridas, os aquíferos estão diminuindo em cerca de 150 km3 por ano devido à captação de água. A água armazenada na forma de gelo diminui a uma taxa de aproximadamente 300 km3 por causa do aquecimento global e de alterações no padrão de chuvas regionais.

De acordo com o artigo, globalmente os principais impactos são o aumento da irrigação, da construção de barragens, e da extração de águas subterrâneas. Ao dominar os diversos ecossistemas do planeta, alterando o uso e a ocupação dos solos, os seres humanos interferiram nos principais processos hidrológicos do ciclo da água. Via de regra, a abordagem tem sido degradar para depois restaurar.

Os cientistas argumentam que, frente às mudanças climáticas, deve-se mudar a abordagem, adotando-se uma postura preditiva e pró-ativa. As tendências futuras se tornaram mais incertas e não estacionárias – os padrões observados no passado nem sempre servirão para orientar a gestão da água no futuro. A nova abordagem inclui o estudo das causas e do desenvolvimento da degradação da qualidade e quantidade da água, analisando sua vulnerabilidade e resiliência no futuro.

As alterações nos recursos hídrico passam por quatro etapas, sugere o artigo a partir da revisão da literatura sobre o tema. O primeiro momento é o de intervenção humana na estrutura das redes de drenagem e das cabeceiras, com influências sobre o ecossistema. Desmatamento da vegetação, urbanização e compactação dos solos elevam o escoamento das águas em direção aos rios e cursos d’água, impactando a vazão e a qualidade.

O segundo momento é a perda da capacidade dos ecossistemas de absorver os impactos de eventos extremos, tanto em termos de quantidade quanto de qualidade. As alterações no uso e ocupação dos solos e o consumo da água pelas atividades humanas reduzem o a absorção e o armazenamento de água subterrânea, como, por exemplo, em aquíferos. A construção de barragens para fins diversos, como abastecimento ou irrigação, impacta o fluxo e a dinâmica natural de sedimentos.

Como consequência da etapa anterior, a terceira à perda de serviços providos anteriormente pelos ecossistemas em resposta às alterações no uso e ocupação dos solos e nos recursos hídricos. Observam-se, entre outros, alterações na qualidade da água, na vazão, ou aumento da variabilidade. A última etapa é corretiva. Busca-se compensar os efeitos causados anteriormente por meio da gestão, adaptação e recuperação das bacias hidrográficas.

As ações humanas tem se caracterizado por, com o tempo, alterar a hidrologia e o movimento da água nos ecossistemas. A partir daí, surgem problemas ligados, por exemplo, ao excesso ou escassez de água, à qualidade, ao escoamento da água pluvial, ao acesso de água potável. A água passa a ser objeto de gerenciamento.

As mudanças climáticas irão modificar a gestão da água. Ela irá se tornar cada vez mais dinâmica e adaptativa. Deve continuamente monitorar se oferece respostas efetiva às interações entre o uso e a ocupação dos solos, a interferência nos recursos hídricos e as alterações do clima. Um aspecto crucial para abrandar impactos negativos, pontuam os cientistas, é a manutenção de áreas de preservação ou conservação.

Mais informações: Land Use, Climate, and Water Resources—Global Stages of Interaction
Imagem: Pixabay

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