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Geoengenharia de calotas polares

Seria possível desenvolver um projeto de engenharia para evitar o colapso de uma das geleiras da calota polar da Antártica, limitando com isso o aumento do nível médio do mar, sugeriu estudo de cientistas de universidades da China, Estados Unidos e Finlândia.

Usualmente, as intervenções de geoengenharia incluem medidas de larga escala com vistas a evitar mudanças climáticas mais severas. Ainda há muitas dúvidas a respeito da eficiência, dos impactos e da viabilidade dessas medidas.

Mas começa a surgir na literatura científica novas propostas, com uma abordagem mais específica. Um dos exemplos é a geoengenharia para minimizar o derretimento de geleiras e calotas polares, a fim de se evitar grandes aumentos do nível do mar que afetariam milhões de pessoas nas áreas costeiras do mundo.

A geoengenharia de calotas polares abrange intervenções na geometria do fundo do mar, perto de geleiras que fluem para o oceano. Dessa forma, espera-se anular a tendência de derretimento.

O foco do estudo foi a geleira de Thwaites, que compõe parte da calota polar no oeste da Antártica. A geleira é aproximadamente do tamanho do estado de São Paulo. A partir de levantamentos recentes, iniciou-se um debate sobre a possibilidade da geleira de Thwaites ter iniciado uma fase de colapso, com o potencial de elevar, em longo prazo, o nível do mar em cerca de 3 metros. 

Mapa da geleira de Thwaites, no oeste da Antártica. Indicação da velocidade de avanço da geleira (a) e da topografia do leito rochoso (b) Fonte: adaptado da figura 2 do estudo.

O objetivo foi explorar se a construção de barreiras contínuas ou de pontos de fixação – feitos de agregados como cascalho e areia – no leito do mar seria eficiente para conter o fluxo de gelo. A análise se baseou em um modelo computacional da dinâmica da geleira de Thwaites, considerando um cenário de aquecimento global.

As simulações sugeriram que a menor intervenção teria uma probabilidade de 30% de prevenir um colapso descontrolado da geleira. Envolveria a instalação de colunas de 300 metros de altura no fundo do mar, consumindo entre 0,1 e 1,5 quilômetros cúbicos de agregado.

Projetos mais sofisticados elevariam as chances de sucesso. A construção de uma pequena parede subaquática apresentou uma probabilidade de 70% de sucesso. O modelos indicou que obras de engenharia de maior porte seriam mais propensas a retardar ou até mesmo impedir o colapso da geleira.

Em teoria, a geoengenharia glacial poderia funcionar. Entretanto, os cientistas lembraram que a Antártica constitui um dos ambientes mais inóspitos da Terra. É preciso avaliar com mais detalhe questões sobre a viabilidade logística e técnica.

Para evitar as consequências mais severas do aquecimento global, a única solução é eliminar as emissões de gases de efeito estufa. Se pesquisas futuras confirmarem sua viabilidade, a geoengenharia glacial pode representar uma alternativa, evitando-se impactos severos do aumento do nível do mar.

Produzido pela colaboração internacional da geleira Thwaites, uma iniciativa científica, o vídeo abaixo (em inglês)  aborda a importância da geleira e os estudos atualmente em execução:

Fonte: União Européia de Geociências e ITGC
Mais informações: Stopping the flood: could we use targeted geoengineering to mitigate sea level rise?
Imagem: figura 1 do estudo – ilustração dos estágios de derretimento da geleira pela intrusão de água do mar com temperaturas mais elevadas [(a) e (b)]. A instalação de uma barreira (c) impediria a entrada da água, permitindo a recuperação da geleira (d).

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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