Press "Enter" to skip to content

Gases de efeito estufa: o Ártico como fonte de metano

Figure 2

A região dos solos congelados do Ártico é reconhecida como uma fonte de emissões de metano – CH4, um dos gases do efeito estufa, por meio da decomposição de material orgânico contendo carbono. Resultado da atividade microbiológica durante a estação quente do ano, estimam-se que as emissões ficam entre 32 e 112 teragramas por ano.

Outra reserva de metano presente na região não vinha sendo considerada de forma apropriada nos estudos científicos relacionados ao aquecimento global. O Ártico abriga vastas reservas geológicas antigas de metano, que se mantém seladas por causa da cobertura de solos congelados. O gás pode escapar desses reservatórios no caso do aparecimento de falhas na cobertura ou do derretimento dos solos.

Um time de cientistas alemães deu o primeiro passo para detalhar a emissão de metano dessas fontes geológicas no Ártico. Analisando amostras de ar em uma área do Alasca canadense, os cientistas puderam identificar os pontos de emissão e a abundância de metano emitido pelas fontes geológicas da área. A partir desses dados, eles calcularam a contribuição dessas fontes para o total anual de metano emitido.

Os resultados mostraram emissões de fontes geológicas 13 vezes maiores do que de fontes microbiológicas, concentradas em locais onde os solos haviam derretido com o aumento das temperaturas (o mapa acima exibe os locais em cores amarelas, laranjas e vermelhas). Dessa forma, apesar de ocorrem em somente 1% da área de estudo, as fontes geológicas foram responsáveis por aproximadamente 17% do total anual de emissões de metano.

Os cientistas alertam que o aquecimento global deverá influenciar não apenas as emissões de metano de fontes microbiológicas, como tem sido relatado e discutido na literatura científica. Também tende a intensificar as emissões provenientes de fontes geológicas. E recomendam que estimativas futuras de emissões de metano devem incluir esse tipo de fonte, presente em diversos outros lugares do Ártico.

Nota do ciência e clima

O estudo é mais um exemplo do conservadorismo que caracteriza a ciência do clima. Mostra também como é desafiador desenvolver uma ciência que pretende abordar o planeta de uma forma global. No exemplo desse estudo, caso se confirme o fenômeno para outras regiões do Ártico, todas as projeções atuais de mudanças climáticas futuras se mostrarão severamente conservadoras.

Mais informações: Strong geologic methane emissions from discontinuous terrestrial permafrost in the Mackenzie Delta, Canada
Imagem: Figura 2 do estudo – Mapa do fluxo de CH4 com a localização de poços de óleo e gás

Comments are closed.

%d blogueiros gostam disto: