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Futuro sombrio para Caatinga com a mudança do clima

As mudanças climáticas previstas para a Caatinga indicam um futuro sombrio, afirmou artigo de pesquisadores de universidades brasileiras e dos Estados Unidos. Mas o tema também apresenta a oportunidade de atrair o interesse para um dos mais importantes ecossistemas brasileiros.

Cobrindo mais de 900 mil quilômetros quadrados, a Caatinga constitui a única região ecológica exclusivamente brasileira. Ela tem o centro no nordeste brasileiro, e se caracteriza pelas florestas secas e vegetação arbustiva e pelo clima semiárido.

Mapas da caatinga brasileira
Delimitação do bioma da caatinga de acordo com o IBGE (a) e com uma referência da literatura científica (b). Fonte: figura 1 do artigo.

De acordo com o artigo, a Caatinga apresenta uma relevante variação de relevo, de climas locais e de cobertura vegetal. É uma das florestas secas mais biodiversas do mundo, abrigando mais de 3.000 espécies de plantas. E apesar de sua importância, uma vasta extensão ainda permanece cientificamente inexplorada.

Ela é também uma das regiões semiáridas mais populosas do planeta, com mais de 28 milhões de habitantes. A economia rural se baseia na produção familiar de culturas e na criação de caprinos e bovinos.

A prática agrícola apresenta em geral baixo nível de tecnologia e pode degradar o ecossistema, levando em alguns casos à desertificação ou ao desaparecimento das florestas. Da vegetação original, mais da metade sofreu alteração.

A pequena produtividade agrícola, a baixa renda das pessoas e as pressões e degradação da Caatinga são fatores que interagem, ressaltaram os pesquisadores. E as mudanças climáticas devem agravar o quadro atual, ao reduzir e tornar menos regulares as chuvas, ao elevar as temperaturas ou ao aumentar a frequência de secas severas.

Como alternativa para reverter a extrema vulnerabilidade da região, o artigo sugeriu combinar melhorias nas infraestruturas socioeconômicas e no ecossistema. Para isso, seria preciso transformar o modelo atual, extrativista e degradador, em um modelo de manejo mais adequado à Caatinga.

A natureza do sertão pode contribuir para a adaptação das pessoas aos efeitos das mudanças climáticas e para o combate à pobreza.

Mais informações: Tabarelli, M., Leal, I. R., Scarano, F. R., & Silva, J. (2018). Caatinga: legado, trajetória e desafios rumo à sustentabilidadeCiência e Cultura70(4), 25-29.
Imagem: Flickr/ Otávio Nogueira

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