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A formação dos ciclos atuais das glaciações

O planeta pode ter entrado no atual ciclo de longas glaciações em função de mudanças nos oceanos, sugeriu estudo de pesquisadores do Reino Unido.

Registros paleoclimatológicos mostram que o sistema climático terrestre passou por uma mudança há cerca de 1,2 milhões de anos atrás. Nessa época, denominada como Pleistoceno Médio, teve início o surgimento de ciclos glaciais com periodicidade de 100 mil anos e mais intensos.

Antes do Pleistoceno Médio, glaciações, de menor amplitude, aconteciam a cada 40 mil anos. A transição entre um regime e outro se completou por volta de 700 mil anos atrás.

As variações orbitais e do eixo terrestre – chamadas de ciclos de Milankovitch – constituem um dos fatores por trás dos ciclos das glaciações. Ao alterar a forma de incidência da radiação solar sobre o planeta, os ciclos de Milankovitch desencadeiam reações internas do sistema climático que levam à sequência de eras de gelo e períodos interglaciais.

Contudo, não se verificaram alterações na natureza dos ciclos de Milankovitch durante o Pleistoceno Médio. Outro fator deveria estar por trás da modificação nas características das glaciações. Uma das principais hipóteses sustentava que a transição ocorreu em resposta à queda das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2.

Os pesquisadores investigaram se a troca de carbono entre o oceano Pacífico e a atmosfera pode ter consistido em um fator para a queda do CO2 atmosférico.

Os oceanos e a atmosfera trocam constantemente energia e carbono. Um dos processos reguladores dessa troca é a circulação global dos oceanos – chamada de circulação termohalina. O norte do Oceano Pacífico constitui uma importante zona de interação.

Lá, águas antigas, que percorreram milhares quilômetros em camadas profundas do oceano, e por isso ricas em CO2 dissolvido, re-emergem para a superfície do mar. Ao retornarem para a superfície, elas liberam parte do carbono para a atmosfera.

Ao longo de milênios, esse tipo de emissão natural do norte do Pacífico contribuiria para manter e mesmo elevar os níveis do CO2 atmosférico. Dessa forma, modificações na re-emergência das águas da região teriam o potencial de provocar alterações nas concentrações atmosféricas.

O estudo se baseou na coleta de sedimentos do fundo do Mar de Bering. Em laboratório, o material, juntamento com fósseis de foraminíferas – pequenos organismos marinhos -, foram datados e quimicamente analisados.

Com isso, os pesquisadores conseguiram recuperar informações das condições do mar na região durante a transição do Pleistoceno Médio. Há cerca de aproximadamente 1 milhão de anos atrás, ocorreu uma glaciação que expandiu as massas de gelo no Ártico e reduziu o nível médio do mar.

Como consequência, estudo sugeriu que o avanço das geleiras teria causado o fechamento do Estreito de Bering, faixa de água que liga o norte do Oceano Pacífico ao Oceano Ártico, entre a Rússia e o Alasca, nos Estados Unidos.

O fechamento da passagem levou à estratificação no norte do Oceano Pacífico, reduzindo a emergência de  águas de camadas profundas para a superfície do mar. Menos CO2 passou a ser liberado pelo oceanos, e as concentrações atmosféricas caíram.

Com menores níveis de CO2 atmosférico, o sistema climático iniciou a transição registrado no Pleistoceno Médio.

As descobertas mostram o papel modulador dos oceanos no sistema climático terrestre, apontaram os pesquisadores. Para compreender melhor as mudanças climáticas futuras, é preciso aprofundar a pesquisa sobre como os processos do oceano serão afetados.

Fonte: Universidade de Exeter
Imagem: Flickr/ John C Bullas – imagem de satélite do Estreito de Bering

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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