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Fontes geologicas de CO2 no fundo dos oceanos

A partir de cerca de 2,5 milhões de anos atrás, com a formação da calota polar do Ártico, teve início o ciclo atual das glaciações. A princípio com uma periodicidade de 40 mil anos, as fases glaciais se tornaram mais longas na presente época geológica, ocorrendo a cada 100 mil anos.

Evidências obtidas em registros paleoclimatológicos continentais e marinhos, inclusive núcleos de gelo, mostram que as glaciações são acompanhadas de variações na concentração atmosférica de gases de efeito estufa, em especial do dióxido de carbono – CO2.

As concentrações caem durante o início de uma fase glacial, fazendo com que o sistema climático resfrie como um todo. O oposto se verifica no término da fase, quando as concentrações de gases de efeito estufa sobem, levando o sistema climático a aquecer.

Há diversas hipóteses para explicar os fatores por trás das variações do CO2 atmosférico durante os ciclos das glaciações. É provável que os oceanos cumpram o papel principal, pois, além de representar o maior reservatório de carbono da superfície da Terra, liberam ou absorvem CO2 de acordo com as condições ambientais.

A ciência ainda não possui todas as respostas para descrever as formas como os oceanos trocam carbono com a atmosfera. E um estudo de um trio de cientistas de universidades da Austrália, da Suécia e dos Estados Unidos adicionou uma nova peça ao quebra-cabeça: os sistemas hidrotérmicos localizados no fundo do mar.

Pesquisas recentes haviam descoberto reservatórios de CO2 líquido e em forma de hidrato em rochas e sedimentos às margens de algumas fontes hidrotermais marinhas ativas. Os sistemas hidrotérmicos consistem em fissuras na crosta terrestre no fundo dos oceanos, por onde flui água aquecida e rica em minerais.

Os sistemas hidrotérmicos são usualmente encontrados em áreas de vulcanismo ou atividade tectônica submarina. Por exemplo, em regiões de contato das placas tectônicas. Reservatórios de CO2 líquido e em forma de hidrato, localizados em sistemas hidrotérmicos de profundidades rasas ou intermediária, são sensíveis à mudanças da temperatura das águas do oceano.

O estudo investigou se, no término da última glaciação, sistemas hidrotérmicos do leste do Pacífico e do Oceano Índico teriam provocado a liberação de fluxos de CO2 para o oceano que, por sua vez, alcançaram a atmosfera.

Através da coleta e análise geoquímica de sedimentos marinhos, os cientistas puderam reproduzir os fluxos de carbono nas águas da região. Os resultados evidenciaram que, quando a glaciação chegou ao final, observou-se um aumento da emissão de carbono pelos sistemas hidrotérmicos do leste do Pacífico e do Oceano Índico.

A emissão das fontes hidrotérmicas teria influenciado significativamente a quantidade de carbono das águas do oceano. Combinado com levantamentos anteriores, a descoberta sugere que a liberação do carbono geológico se deu juntamente com uma intensificação do fluxo regional de CO2 dos oceanos para atmosfera.

Nesse sentido, as fontes hidrotérmicas poderiam contribuir para os episódios de aumento das concentrações atmosféricas de CO2 ao longo dos ciclos das glaciações. É fundamental compreender melhor os fluxos de carbono hidrotérmico para o oceano, alertaram os cientistas.

A comunidade científica precisará revisar as estimativas da quantidade de carbono dos oceanos, incluindo os reservatórios de CO2 líquido e em forma de hidrato. E aprofundar a pesquisa tanto sobre os fluxos desses reservatório quanto sobre possíveis interferências do aumento das temperaturas do oceano causado pelo aquecimento global.

Mais informações: Stott, L. D., Harazin, K. M., & Krupinski, N. B. Q. (2019). Hydrothermal carbon release to the ocean and atmosphere from the Eastern Equatorial Pacific during the Last Glacial TerminationEnvironmental Research Letters.
Imagem: figura 6 do estudo – imagem de fósseis de organismos marinhos

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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