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As florestas tropicais emitem gases de efeito estufa sob influência do El Nino

O El-Nino de 2015-16 provocou um pico nas emissões de gases de efeito estufa, afirma estudo da NASA. Segundo dados coletados pela agência espacial dos Estados Unidos, as regiões tropicais do planeta foram a principal fonte responsável pelo súbito aumento do CO2 atmosférico. 

O estudo utiliza informações coletadas por um novo satélite da NASA, lançado em 2014. Orbitando a Terra, os instrumentos do satélite podem realizar cerca de 100.000 medidas da concentração atmosférica de CO2 por dia. Dessa forma, ele gera medições globais da quantidade do gás presente na atmosfera, detalhando a forma como o gás se move e suas variações ao longo do tempo.

O vídeo abaixo apresenta uma simulação realizada pela NASA com dados do satélite do período entre novembro de 2014 e agosto de 2015.

Em 2015 e 2016, o aumento da concentração atmosférica de CO2 registrado pelo satélite foi 50% por cento maior do que a média dos anos anteriores. As concentrações subiram em cerca de 3 ppm (partes por milhão), o equivalente a 6,3 gigatoneladas de carbono, enquanto que a média estava em 2 ppm por ano, ou 4 gigatoneladas.

As emissões provenientes de atividades humanas não poderiam responder por esse aumento abrupto, uma vez que em 2015-16 os cientistas estimaram que elas tenham se mantido na média. Um hipótese seria uma alteração das emissões pelos solos e ecossistemas terrestres. Para verificar essa hipótese, os dados coletados pelo satélite da NASA no período foram analisados.

A equipe comparou as informações do ano de 2015-16 com informações disponíveis do ano de 2011, aproveitando dados coletados pela agência espacial japonesa. Os cientistas descobriram que os solos e ecossistemas terrestres globais emitiram aproximadamente 3 gigatoneladas de carbono no período. Cerca de 80% desse total, 2,5 gigatoneladas, vieram de florestas tropicais da América do Sul, da África e da Indonésia.

As informações de 2011 eram completamente diferentes. Para esse ano, calculava-se que a quantidade de carbono emitida esteve em equilíbrio com a quantidade de carbono absorvido pelas florestas tropicais. Portanto, elas não contribuíram para o aumento das concentrações atmosféricas de CO2. Como fator responsável pela alteração do equilíbrio das florestas na troca de carbono com a atmosfera em 2015-16, a suspeita recaiu sobre o El Nino.

Provocando alterações climáticas globais, como secas e aquecimento (ver imagem abaixo), há muito a ciência reconhecia que o El Nino interferia na produtividade das florestas tropicais. O novo satélite da NASA, além de monitorar a quantidade de dióxido de carbono presente na atmosfera de cada região, também produziu dados a partir dos quais os cientistas puderam calcular a taxa de fotossíntese da vegetação.

Reunindo as informações do satélite com outros tipos de produto, foi possível descrever os processos naturais que relacionam as florestas aos efeitos El Nino. As três regiões tropicais liberaram cada uma a mesma quantidade de CO2 para a atmosfera. Todavia, as alterações climáticas causadas pelo El Nino, e consequentemente as alterações no ciclo de carbono, foram diferentes em cada uma das regiões.

Na América do Sul e na Amazônia, o El Nino trouxe altas temperaturas e uma das mais severas secas dos últimos 30 anos. As condições mais quente e secas colocaram a vegetação sob estresse, e a resposta foi uma redução na taxa de fotossíntese. Com isso, a floresta absorveu uma quantidade menor de carbono da atmosfera.

No caso da África tropical, as chuvas permaneceram em níveis normais, mas as temperaturas aumentaram. A combinação de umidade e calor levou a um incremento na decomposição de árvores, plantas e material orgânico, liberando uma quantidade maior de carbono. Enquanto isso, a Ásia tropical teve o segundo ano mais seco nos últimos 30 anos. A quantidade de incêndios de turfa e da floresta aumenta, e com isso as emissões de CO2.

Efeitos do El Nino nas regiões tropicais do planeta em 2015. A cor amarela indica seca, a cor bege, calor, e a cor vermelha, seca e calor. Os quadros menores detalham os efeitos na América do Sul (direita), África (centro) e Ásia (esquerda). Fonte: NASA-JPL/Caltech

As descobertas do estudo da NASA poderão auxiliar no aprimoramento dos modelos computacionais do clima. Em especial daqueles que simulam as trocas de carbono entre a atmosfera, os oceanos e os solos e ecossistemas terrestres. Ao mesmo tempo, representa um alerta para os riscos das mudanças climáticas. Se o futuro trouxer secas mais frequentes e longas nas regiões tropicais, as florestas poderão emitir mais dióxido de carbono, intensificando o aquecimento global.

Mais informações: NASA
Imagem: NOAA – formação do El Nino em 2015

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