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Florestas tropicais contribuem para o aquecimento global

Uma nova abordagem de monitoramento do sequestro de carbono pelas florestas tropicais sugere que elas passaram a emitir mais CO2 do que capturam, contribuindo para o aquecimento global. O resultado questiona a idéia de que as florestas tropicais sequestram carbono da atmosfera.

O estudo foi elaborado por um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos. Combinando imagens de satélite, tecnologia de sensoriamento a laser e coletas de campo, os pesquisadores levantaram a quantidade de carbono sequestrado e emitido pela região das florestas tropicais entre os anos de 2003 a 2014. A partir dos dados obtidos, utilizaram um modelo computacional para calcular as mudanças anuais na densidade de carbono das áreas avaliadas.

Anteriormente, para calcular esse tipo de perda, os cientistas precisavam definir ou identificar explicitamente o tipo de mudança no uso e ocupação do solo que havia ocorrido. O desafio dos cientistas era mapear os pontos da floresta que foram completamente desmatados. Mas locais que sofreram intervenções menores, como a retirada de árvores individuas ou a abertura de talhas por pequenos agricultores, poderiam passar despercebidas.

Em muitos casos, o impacto dessas pequenas intervenções, somado, tornava-se significativo para a área total dos trópicos. A vantagem da nova abordagem é que ela detecta remotamente as perdas de carbono florestal associadas ao desmatamento e à degradação da floresta, incluindo as pequenas alterações. Ao mesmo tempo, a nova abordagem também permite caracterizar com maior detalhe a situação inversa, quando há sequestro de carbono por causa do crescimento da floresta.

Os resultados sugerem que, em conjunto, as florestas tropicais emitiram no período entre 2003 e 2014 cerca de 425 teragramas de carbono anualmente. O mapa no início deste artigo acima traz as principais regiões florestais dos trópicos, indicando em vermelho os locais onde ocorreu perda de carbono, e em verde onde ocorreu ganho. A causa das emissões foi a alteração no uso e ocupação do solo, e a maior parte foi registrada na América do Sul.

Ilustração da perda de carbono anual pelas florestas tropicais. Fonte: adaptado de WHRC

Segundo os pesquisadores, as descobertas do estudo representam um alerta sobre as florestas tropicais e a necessidade de mitigação de emissões de gases de efeito estufa. O manejo florestal pode ser duplamente benéfico. Ao coibir o desmatamento e a degradação da floresta, limita a perda de carbono. E ao fomentar o crescimento da vegetação, viabiliza a alternativa mais segura, comprovada e barata de sequestro de carbono.

Fonte: Woods Hole Research Center
Imagem: WHRC – Figura 1 do sumário da pesquisa exibindo a distribuição espacial de áreas com ganho, perda ou sem alteração da densidade de carbono no período entre 2003 e 2014.

 

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