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Florestas secas sob pressão

Entre 2000 e 2015, aproximadamente um terço da área de floresta seca no Brasil foi desmatada. As políticas macroeconômicas do país estimulam a substituição da vegetação pela produção de commodities e precisam de uma revisão urgente, alerta estudo de pesquisadores brasileiros.

Nas regiões tropicais do mundo, estima-se que as florestas secas ocupariam uma área de cerca de 1,6 milhão de km2. Segundo o estudo, por volta de 1 milhão de km2 dessa área sofreu desmatamento ou degradação. A principal ameaça é a conversão da vegetação em pastagens e culturas.

No país, estimativas anteriores indicaram que 52% dos 81.046 km2 de floresta seca brasileira foram convertidos para algum tipo de atividade humana. Apenas 6,2% da vegetação se encontra protegida por meio de unidades de conservação. O desmatamento ilegal é alto, ocorrendo principalmente no interior das propriedades rurais.

Adotando o norte de Minas Gerais como estudo de caso, o estudo investigou a influência de políticas públicas sobre a retirada da vegetação. Através de modelos e dados municipais censitários, os pesquisadores analisaram as alterações no uso e ocupação dos solos entre 2000 e 2015, os motivos e as consequências sobre o bem-estar.

A alteração das florestas secas no norte de Minas Gerais somou aproximadamente 16.000 km2 entre 2000 e 2015. O estudo identificou que o desmatamento estava associado à pecuária, principal atividade econômica da região, e também a políticas públicas de irrigação.

Os pesquisadores consideraram a taxa de desmatamento alta, uma vez que as florestas secas são protegidas por uma lei federal desde 2006. Nesse sentido, eles sugerem que estratégias de comando e controle não tem sido eficazes para a conservação.

Um aspecto crítico para a manutenção das florestas secas foi a regeneração natural. Apesar da relevância da regeneração, o estudo identificou que ela não é devidamente explorada em estratégias de conservação. O processo constitui uma forma de seqüestro de carbono, contribuindo para que o Brasil cumpra suas metas de redução de emissões.

Finalmente, o modelo de desenvolvimento da região, orientado por políticas macroeconômicas, baseia-se na produção e exportação de commodities agrícolas e pecuárias. O estudo não observou evidências de que o modelo trouxe ganhos de bem-estar no longo prazo. Pelo contrário, ele trouxe ambientais, em especial o desmatamento.

É preciso repensar o modelo de desenvolvimento na área das florestas secas.

Mais informações: Land use policies and deforestation in Brazilian tropical dry forests between 2000 and 2015
Imagem: figura 2 do estudo – mudanças no uso e ocupação do solo no norte de Minas Gerais entre 2000 e 2015. A cor verde indica florestas secas, a cor vermelha, silvicultura.

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