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Florestas ‘novas’ absorvem mais carbono

As florestas tropicais são importantes para a retirada do dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera. Mas são as regiões que foram desmatadas e, posteriormente, ocupadas novamente por florestas que respondem pela maior parte do carbono absorvido da atmosfera pelos ecossistemas terrestres, sugeriu estudo de um grupo internacional de cientistas.

Parte das emissões humanas de gases de efeito estufa acaba sendo absorvida pelo biosfera terrestre. A vegetação, em especial as florestas, absorve, por meio da fotossíntese, o CO2 da atmosfera e o armazena na forma de biomassa.

Com isso, reduzem a taxa de aumento das concentrações atmosféricas do CO2, retardando o aquecimento global.

Não são apenas as florestas existentes que absorvem o carbono da atmosfera. Áreas de rebrotamento e reflorestamento também contribuem para a retirada do CO2 atmosférico. Mas as estimativas de quanto carbono era absorvido por essas áreas variava significativamente.

A fim de realizar uma estimativa, os cientistas compilaram observações da idade das florestas ao redor do mundo. Através de um modelo computacional da biosfera terrestre, eles simularam o crescimento de florestas antigas e florestas  mais recentes.

Foram classificadas como florestas recentes aquelas originadas de rebrotamento ou reflorestamento em áreas anteriormente degradadas por atividades humanas. A estimativa abrangeu a absorção de carbono pela vegetação entre os anos de 2001 e 2010.

Ao contrário do que se acreditava, o estudo sugeriu que o sumidouro de carbono pelos ecossistemas terrestres se dá predominantemente em florestas de latitude média a alta, em vez de tropicais.

O estudo estimou o volume de carbono absorvido por florestas intactas, de crescimento antigo, em 850 milhões de toneladas por ano. Elas se localizavam principalmente nos trópicos e na região da Sibéria, na Rússia.

Por sua vez, as florestas recentes teriam retirado 1,3 bilhões de tonelada de carbono da atmosfera ao ano. Elas se localizavam em áreas no leste dos Estados Unidos e em florestas boreais do Canadá, Rússia e Europa.

Além do efeito de fertilização do CO2, provocado pelo aumento das concentrações atmosféricas, as florestas recentes absorveriam mais carbono como reflexo da idade. Por se tratar de reflorestamentos ou rebrotamentos, as árvores dessas florestas poderiam ser consideradas jovens, com maior potencial de armazenamento de carbono na biomassa.

O estudo calculou também o potencial de absorção futura de carbono pelos ecossistemas terrestres. Considerando os mesmos níveis atuais de pertubação natural, de desmatamento e de reflorestamento, as florestas poderiam acumular mais 69 bilhões de toneladas de carbono.

Isso corresponderia a 7 anos de emissões de gases de efeito estufa pela queima de combustíveis fósseis, tomando-se como base o ano de 2016.

O sumidouro de carbono das florestas sofre forte influência de distúrbios humanos, concluiu o estudo. Particularmente devido à mudanças no uso e ocupação dos solos que levam à formações florestais mais jovens e recentes.

Por outro lado, grande parte do carbono absorvido no presente se deve ao caráter recente de muitas das florestas do mundo. O volume absorvido deverá diminuir à medida que essas florestas envelhecem, o que reduzirá a capacidade dos ecossistemas terrestres de retirar o carbono da atmosfera no futuro.

Fonte: Universidade de Birmingham
Imagem: Unsplash/ Kim Daniel

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