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Ferrugem do café pode se tornar mais severa

A doença da ferrugem do café poderá aumentar em resposta ao aquecimento global. A severidade da doença deverá subir, apontou estudo de um time de cientistas brasileiros.

Diversas pesquisas tem sido realizadas com o objetivo de explorar as possíveis consequências do aquecimento global e das mudanças climáticas sobre a produção de café. Segundo o estudo, os resultados alertam para possíveis perdas produtivas.

Um dos fatores seria a modificação na incidência de doenças do café. Umas das principais é a ferrugem do café. Apesar do manejo contribuir para o controle da doença, estimativas apontam que a ferrugem pode levar a perdas de 30% a 50% da produção total. Grandes epidemias tem o potencial de afetar quase a totalidade do cultivo.

A doença ocorre em um ciclo sazonal. Geralmente ela se inicia junto com o período chuvoso, em dezembro, chegando ao pico entre os meses de maio e junho. A severidade da doença está associada às condições climáticas, uma vez que o ciclo de vida do patógeno sofre a influência do clima.

Invernos mais quente e chuvoso favorecem o estágio inicial da doença. Por sua vez, o período de incubação pode variar em conformidade com a temperatura. Quanto menor o período de incubação da ferrugem, mais rapidamente a doença se desenvolve.

Avaliar os efeitos das mudanças climáticas sobre a incidência da ferrugem do café exige o uso de simulações de modelos climáticos globais e regionais. No Brasil, os cientistas ressaltaram que poucos estudos nesse sentido haviam sido realizados.

Utilizando dois diferentes modelos climáticos regionais, o estudo investigou as possíveis alterações no período de incubação da ferrugem no tipo de café Coffea arabica nos estados de Minas Gerais e São Paulo.

Simulou-se um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa até 2040. Os cientistas consideraram seis diferentes referências para o período de incubação da doença. Os resultados foram comparados com o potencial da doença estimado para o período entre 1961 e 1990.

Gráfico da área afetada atual e futuramente pela ferrugem do café
O gráfico mostra a estimativa da área afetada por diferentes níveis de severidade da ferrugem do café em Minas Gerais e São Paulo (de 6 – nula – até 1 – muito alta). A linha sólida corresponde ao período entre 1961-1990 e a linha tracejada para o período 2011-2040. As cores diferentes representam os diferentes modelos climáticos regionais utilizados. Fonte: figura 4 do estudo.

As simulações apontaram para um potencial aumento da área de Minas Gerais e São Paulo afetada por episódios mais severos da ferrugem do café. O estudo estimou que a quantidade de áreas experimentando um período de incubação da doença inferior a 19 dias – limite para epidemias de maior intensidade – poderia subir entre 0,5% e 14,2%.

A variação esteve ligada ao modelo climático e às referências utilizadas para calcular o período de incubação da doença. Um dos modelos apresentou simulações de condições climáticas até 2040 bem mais favoráveis ao desenvolvimento da doença nos estados analisados.

Também se verificou uma possível alteração na sazonalidade. Meses que anteriormente seriam pouco favoráveis ao desenvolvimento da doença, com períodos de incubação superiores a 40 dias, passariam a ter condições climáticas mais favoráveis.

A probabilidade de epidemias mais severa subiria. Nos cenários futuros, ela seria maior nos meses quentes e úmidos do ano, mas também se estenderia para os meses mais secos e frios.

Minas Gerais e São Paulo, regiões de produção do café arábica mais tradicionais do país, podem enfrentar maiores desafios no manejo da ferrugem. Os resultados do estudo servem como alerta aos produtores para a necessidade de se adaptar às mudanças que o futuro trará.

Mais informações: ALFONSI, Waldenilza Monteiro Vital et al . Geographical distribution of the incubation period of coffee leaf rust in climate change scenarios. Pesq. agropec. bras.,  Brasília ,  v. 54,  e00273,    2019 .
Imagem: Pixabay

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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