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Falta ação política na luta contra o aquecimento

Apesar do relatório mais recente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês – expor mais uma vez os impactos das mudanças climáticas, ainda se verifica uma grande inação política, alertou editorial do jornal científico Nature Climate Change.

Entre os principais eventos climáticos de 2018, o editorial mencionou os incêndios mais destrutivos já registrados no estado da Califórnia, Estados Unidos, e também em Colúmbia Britânica, no Canadá.

O fogo atingiu até mesmo a Escandinávia, em um evento raro no qual 25.000 acres na Finlândia, Rússia, Noruega e Suécia foram queimados.

Enquanto isso, a Austrália experimentou uma seca severa no inverno, atingindo um estado responsável por cerca de um quarto da produção agrícola do país. As projeções sugerem que as chuvas de verão não serão suficientes para recuperar totalmente a região.

Segundo o editorial, o último relatório publicado recentemente pelo IPCC sobre o aquecimento global expôs a diferença de impactos de cenários futuros.

O mundo experimentou até o presente um aumento da temperatura média global de 1°C acima dos níveis pré-industriais. As projeções do cenário de aumento da temperatura em 2°C indicam impactos bem mais graves do que os do cenário de 1,5°C.

Para limitar o aquecimento a 1,5°C, o relatório do IPCC aponta que, até 2030, as emissões totais de gases de efeito estufa precisam cair para cerca de 45% dos níveis de 2010.

No caso do dióxido de carbono – CO2 -, significaria reduzir as quase 40 bilhões de toneladas atuais para aproximadamente 15 bilhões de toneladas em 12 anos. E continuar no mesmo ritmo de redução, zerando as emissões até 2050.

Mas as projeções do IPCC dos riscos significativos das mudanças climáticas não tem sido suficiente para mobilizar uma ação política dos países. Estimativas apontam que as emissões globais de gases de efeito estufa subirão em 2018, na direção contrária da recomendação do IPCC.

E do ponto de vista político, de acordo com o editorial, o ano de 2018 pode ter representado um grande revés na luta contra o aquecimento global. A eleição presidencial brasileira deu vitória a um candidato pautado por uma agenda anti-ambiental.

Se o próximo governo do Brasil enfraquecer as medidas de controle do desmatamento e do uso da terra, as implicações para a mitigação do aquecimento e para as metas climáticas globais seriam significativas.

O revés ocorreria justamente quando, ressaltou o editorial, se faz mais necessário coletivamente se tornar mais ambicioso no desafio da mitigação do aquecimento global. Os impactos estão se tornando mais aparentes.

Fonte: Nature
Imagem: Flickr/ Saulo Cruz

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