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Eventos agroclimáticos regionais trazem danos econômicos

Eventos extremos agroclimáticos regionais podem trazer danos econômicos significativos à agropecuária, com implicações tanto em nível nacional quanto internacional. E os efeitos negativos superam os positivos, sugeriu estudo de pesquisadores de universidades da Espanha e da Itália.

As últimas décadas foram palco de eventos extremos de frequência, intensidade e duração sem precedentes. Segundo o estudo, as projeções de modelos climáticos apontam que a tendência continuará no futuro, à medida em que avança o aquecimento global.

Um dos setores vulneráveis às alterações nos eventos climáticos extremos é a agropecuária. Apesar de algumas pesquisas indicarem o impactos dos eventos na produção e no preço dos alimentos, os pesquisadores ressaltaram que a relação entre o setor agrícola e os eventos extremos permanece pouco investigada.

O estudo investigou os possíveis choques de eventos meteorológicos extremos sobre as três principais culturas de grão: trigo, milho e soja. Ele se baseou em um modelo computacional, incorporando as variações de rendimento devido a estresses climáticos, o mercado global de grão e as políticas agrícolas.

Os pesquisadores simularam 58 cenários nos quais uma única região produtora do mundo experimentaria eventos extremos como os observados no passado. A partir daí, projetou-se as consequência para a safra e as influências sobre o mercados internacional de grãos.

A análise se concentrou apenas em anomalias meteorológicas – negativas, se provocam estresse biofísico, ou positivas – durante a estação de crescimento. Tais anomalias foram denominadas como extremos agroclimáticos. Não se incluíram outros fatores, como eventos de mais longa duração.

Em geral, as simulações apontaram que a ocorrência de extremos agroclimáticos em uma região interferiria temporariamente na oferta de grãos, distorcendo o mercado. O preço internacional da safra poderia ficar significativamente acima do normal.

Os efeitos sobre o preço doméstico variariam de acordo com o país, o tipo de cultura, a sensibilidade dos mercados internos à variações de preço e também a sua situação quando da ocorrência do evento.

Os choques agroclimáticos, e consequentes impactos nos preços domésticos, poderiam levar à alterações dos preços internacionais. Isso ocorreria, em especial, se os choques mais pronunciados de safra se derem ou influenciarem os principais países exportadores e importadores de grãos.

Outro resultado das simulações consistiu na diferença entre os efeitos de eventos agroclimáticos negativos e positivos sobre os preços. Na grande maioria dos casos, os preços domésticos e internacionais se mostraram mais sensíveis às anomalias negativas.

Assim, anos de rendimento abundante de grãos, com estoques elevados, exercem uma pressão para a queda do preço que talvez não seja suficiente para reverter os danos causados em anos de extremos agroclimáticos negativos.

Os cenários explorados pelo estudo adotaram a suposição de que os extremos agroclimáticos futuro manteriam a mesma frequência, intensidade e duração dos eventos registrados entre 1980 e 2010. Essa é uma das limitações do estudo, ressaltaram os pesquisadores.

Em futuro de aquecimento, espera-se uma grande alteração nas características dos eventos extremos. O setor agropecuário e o comércio internacional deverão se adaptar.

Mais informações: Chatzopoulos, T., Domínguez, I. P., Zampieri, M., & Toreti, A. (2019). Climate extremes and agricultural commodity markets: A global economic analysis of regionally simulated eventsWeather and Climate Extremes, 100193.
Imagem: Pixabay

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