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Estimativas econômicas subestimam riscos futuros

As estimativas econômicas subestimam os impactos futuros do aquecimento global e das mudanças climáticas, afirma artigo de pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido. Com isso, as políticas climáticas podem ser extremamente conservadoras e insuficientes para preparar adequadamente as sociedades para o futuro.

De acordo com o artigo, torna-se cada vez mais evidente as limitações dos modelos de análise integrada, utilizados nas estimativas econômicas de cenários futuros de aquecimento. Os modelos não consideram de forma adequada os danos futuros das mudanças climáticas, especialmente em cenários de médias a altas emissões de gases de efeito estufa.

Além disso, os pesquisadores apontaram que os modelos econômicos tratam de modo inadequado as incertezas ligadas aos cenários futuros. E também subestimam os potenciais riscos.

Os modelos de análise integrada combinam um modelo de crescimento econômico determinístico com um modelo simplificado do ciclo de carbono. Os componentes físicos – ligados ao sistema climático – e econômicos do modelo interagem em uma via de mão dupla.

De um lado, a produção econômica gera emissões que interferem no ciclo do carbono. De outro lado, o sistema climático muda em resposta às novas condições, afetando o resultado econômico. Os impactos na economia são estimados por meio de uma função de dano econômico.

Entretanto, o artigo indica que há uma discrepância entre os estudos dos potenciais impactos físicos das mudanças climáticas e as estimativas das consequências desses impactos sobre a economia. Ainda que os impactos físicos possam ser graves e importantes, os modelos de análise integrada projetam perdas econômicas moderadas.

Um diagnóstico citado pelo artigo mostra as inúmeras falhas da abordagem econômica, revelando que os modelos de análise integrada são absolutamente simplistas. Eles se baseiam em uma literatura ultrapassada. Trabalham com grandes escalas espaciais e temporais, nas quais não são apropriadamente considerados os impactos regionais, locais e de curta ou média duração das mudanças climáticas. É o caso, por exemplo, de eventos extremos.

E uma vez que os cientistas que estudam os impactos físicos e biológicos das mudanças climáticas raramente calculam seu valor econômico ou monetário, tais impactos acabam sendo amplamente ignorados pelos economistas e seus modelos. Usualmente também se ignora a interferência na economia de impactos sobre fatores sociais que não são comercializáveis.

O artigo recomenda que no próximo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês -, seja investigado de forma apropriada os riscos, incertezas e ambigüidades dos cenários futuros de aquecimento global e seus impactos e danos sociais e econômicos.

A abordagem utilitarista e determinística das estimativas econômicas é falha. Quando levam em consideração a incerteza intrínseca aos cenários de mudanças climáticas futuras, os danos econômicos geralmente aumentam.

O IPCC deve adotar outra abordagem com foco na tomada de decisão sob incerteza, recomendaram os pesquisadores. O próximo relatório poderia atuar como um grande fórum, reunindo cientistas e economistas, a fim de estimar os danos na economia de diferentes cenários futuros.

Mais informações: Recommendations for Improving the Treatment of Risk and Uncertainty in Economic Estimates of Climate Impacts in the Sixth Intergovernmental Panel on Climate Change Assessment Report
Imagem: Unsplash/ Christine Roy

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