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Estimando os efeitos da seca na Amazônia

A seca de 2015 e 2016, provocado pelo El Niño, levou a uma mortandade de árvores na Amazônia 65% maior do que o ocorrido em média anualmente. A descoberta foi realizada por estudo de cientistas brasileiros e dos Estados Unidos.

Tendo em vista o aquecimento global, os efeitos da seca podem interferir no sequestro de carbono pela floresta, caso eles se tornem mais comuns no futuro.

Os eventos de seca aumentam o risco de mortalidade das árvores. Sem as chuvas, elas podem obter quantidades de água menores do que a necessária para suas copas. Mas identificar o número de árvores afetadas era um grande desafio, dada a extensão da floresta amazônica e a complexidade do dossel.

Os cientistas recorreram à tecnologia de utilizaram a uma tecnologia de mapeamento à laser – LIDAR. Sobrevoando os mesmos trechos da floresta com o instrumento entre 2013 e 2014, e entre 2015 e 2016, eles puderam reconstruir imagens do dossel florestal em três dimensões no computador.

Os dois trechos de floresta estudados possuíam 50 quilômetros de extensão. Ficavam localizados perto da cidade de Santarém, no Pará. Um deles dentro da área de conservação da Floresta Nacional de Tapajós, e outro em uma propriedade privada, e que já havia sofrido a retirada de madeira.

Nessa região da Amazônia, a estação seca dura entre outubro a dezembro.  O período entre 2013 e 2014 apresentou um regime de chuvas médio. Em 2016, verificou-se o fenômeno El Niño no oceano Pacífico, promovendo um atraso no início da estação chuvosa da região e levando a um grande evento de seca.

As informações obtidas pela mapeamento aéreo foram complementadas por um levantamento de campo. Foi medido o material lenhoso que havia caído ao chão nos pontos identificados pelo LIDAR. Dessa forma, o estudo estimou a quantidade total de carbono perdido em função do estresse e mortalidade das árvores causados pela seca.

Durante o período entre 2013 e 2014, os resultados indicaram uma alteração de 1,8% do dossel da floresta, indicador de mortalidade de árvores, na área de estudo. A alteração se mostrou 65% maior durante o evento de seca entre 2015 e 2016.

Uma das expectativas dos cientistas era de que a seca afetasse mais as árvores de grande porte do que aquelas menores. Todavia, os resultados apontaram que o impacto da seca se distribuía independentemente do tamanho das árvores.

A taxa de mortalidade na área da propriedade privada se mostraram maiores do que na área de conservação.

De acordo com os cientistas, os modelos climáticos projetam condições mais quentes e secas para a Amazônia no futuro. A melhor compreensão dos efeitos da seca ajudarão a melhorar o entendimento de como a floresta responderá.

As secam podem comprometer o sequestro de dióxido de carbono – CO2 – pela Amazônia. Isso levaria a concentrações atmosféricas ainda maiores desse gás de efeito de efeito estufa, intensificando o aquecimento global.

Produzido pela agência espacial dos EUA – NASA, o vídeo a seguir apresenta um resumo do estudo:

Fonte: NASA
Imagem: Pixabay

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