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Espécie de coral terá de migrar devido ao aquecimento

Uma das espécies endêmicas de coral do Brasil pode ver a sua área de ocorrência se alterar devido ao aquecimento global, apontou estudo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco.

Os recifes de corais consistem em dos ecossistemas marinhos mais importantes. Representam abrigo para peixes e crustáceos, ou substrato para algumas espécies de algas. Eles dependem de condições estáveis das águas do mar.

Os impactos do aquecimento, de acordo com o estudo, irão expor pelo menos 50% das espécies de corais de águas rasas ao risco crítico de extinção nos próximos 20 anos.

Ao longo do litoral brasileiro, os recifes de coral apresentam um alto endemismo de espécies de construção de recifes. Duas dessas espécies são consideradas atualmente sob risco de extinção. A primeira pode ser encontrada em trechos da costa do estado da Bahia e no atol de Abrolhos.

A segunda espécie tem uma distribuição mais comum, ocorrendo desde o litoral do Ceará até o Espírito Santo. De nome científico Mussismilia harttii, ela atravessa um grave declínio de sua população.

A conservação de espécies ameaçadas deve ser informada pela pesquisa e mapeamento dos habitats adequados atuais e futuros. Uma das ferramentas consiste na modelagem, que oferece a possibilidade de projetar a contração ou expansão da distribuição de uma ou mais espécies.

Nesse sentido, o estudo abrangeu uma análise da distribuição atual e futura – até 2100 – dessa espécie. Ele se baseou em um modelo computacional de nicho ecológico, a fim de explorar o potencial de ocorrência do coral M. harttii frente aos impactos das mudanças climáticas.

As projeções incluíram três cenários de aquecimento global futuro – um de baixas, um de médias e outro de altas emissões de gases de efeito estufa.

Projeção de área de distribuição de espécie brasileira de coral
O mapa apresenta a projeção da área de distribuição da espécie de coral em um cenário da altas emissões. Cor amarela indica perda, cor verde, manutenção, e cor azul, ganho de área. Fonte: figura 5 do estudo.

Em todos os cenários, as projeções indicaram uma diminuição de áreas em regiões de águas rasas e um potencial aumento de habitats em locais de maior profundidade. As maiores perdas se verificaram em trechos mais ao sul do litoral, particularmente no Espírito Santo.

No cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, o modelo apontou uma queda de 25% na atual distribuição geográfica da espécie em águas rasas.

Os pesquisadores sugeriram que, diante da restrição das áreas rasas, a espécie de coral poderia encontrar refúgios em zonas mais profundas. Conseqüentemente, ainda não se sabe se populações mais profundas de  serviriam como estoques genético, independentemente da manutenção ou não das populações costeiras.

Todavia, o aquecimento global irá se somar aos impactos provenientes de outros fatores. Segundo o estudo, a literatura da década de 1970 descrevia a espécie de coral M. harttii formando extensas estruturas nos recifes costeiros do Brasil, com colônia de até 1 metro de diâmetro.

O que era descrito na literatura não pode mais ser encontrado hoje. Sob a influência da urbanização, da poluição, e de práticas de turismo predatórias, a espécie se tornou rara. Ela enfrenta também a competição de espécies invasivas.

Frente a esse conjunto de fatores, os pesquisadores ressaltaram para a urgência do estabelecimento de medidas de conservação prioritárias. Não apenas para a espécie em risco de extinção, mas também para a recuperação de todo o ecossistema de recifes de coral do Brasil.

Mais informações: Oliveira, U.D.R., Lima, G.V., Cordeiro, R.T., Gomes, P.B. and PEREZ, C.D., 2019. Modeling impacts of climate change on the potential habitat of an endangered Brazilian endemic coral: discussion about deep sea refugiabioRxiv, p.517359.
Imagem: Research gate/ Duarte et al 2005 – foto da espécie de coral M. harttii

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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