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Energia acumulada no oceano é superior ao estimado

A quantidade de energia absorvida pelo oceano é cerca de 60% superior à média estimada anteriormente pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês -, sugeriu estudo de um grupo de pesquisadores da Alemanha, China, França e Estados Unidos.

Nos últimos 25 anos, o oceano teria absorvido 150 vezes mais energia anualmente do que o produzido pelos humanos ao longo de um ano.

O forte aquecimento do oceano que os pesquisadores descobriram sugere que a Terra é mais sensível às emissões de combustíveis fósseis do que se pensava anteriormente.

O aumento da quantidade de calor no oceano constitui um dos principais indicadores do aquecimento global. Calcula-se que aproximadamente 90% da energia acumulada pelo sistema climático por causa da intensificação do efeito estufa acaba armazenada no oceano.

O efeito estufa está se intensificando em resposta ao aumento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa, em especial do dióxido de carbono – CO2.

Os resultados dos pesquisadores são os primeiros a vir de uma técnica de medição independente do método dominante por trás da pesquisa existente, disse ela.

As estimativas anteriores de absorção de calor pelo oceano se baseava em medições pontuais da temperatura da água dos oceanos e na rede de monitoramento Argo. Implantada em 2007 e composta por sensores robóticos, a rede Argo realiza o monitoramento periódico da temperatura e salinidade da metade superior do oceano em todo o mundo.

Esse conjunto de dados, no entanto, apresenta imperfeições e sofrem com incertezas provenientes da cobertura esparsa. Tais limitações são mais relevantes nas séries produzidas antes da implementação da rede Argo, em 2007.

O estudo teve por objetivo produzir uma estimativa independente, utilizando um novo tipo de metodologia. A fim de estipular quanto calor o oceano absorveu no período entre 1991 e 2016, foram utilizadas as concentrações atmosféricas de oxigênio – O2 – e de CO2.

A proporção entre a quantidade de O2 e de CO2 na atmosfera compõem um indicador denominado de Oxigênio Potencial Atmosférico – OPA. As variações no OPA sofrem pequena influência de fatores biológicos e, portanto, ele reflete principalmente a biogeoquímica do oceano e a circulação atmosférica.

Os gases O2 e CO2 se tornam menos solúveis nas águas oceânicas à medida em que elas se aquecem. Com isso, o oceano tende a liberar esses gases no ar para a atmosfera, alterando a proporção entre a quantidade de O2 e de CO2 e, consequentemente, o OPA.

Os níveis de CO2 atmosférico também dependem das emissões causadas pelas atividades humanas, em especial pela queima de combustíveis fósseis, ou pelo sequestro do CO2 pelos ecossistemas terrestres ou pelo próprio oceano.

Ao isolar as variações na APO que seriam esperadas em função desses dois processos, os pesquisadores identificaram a variação causada pelo aquecimento das águas oceânicas. Puderam, dessa forma, estimar a quantidade de calor armazenado ano a ano entre 1991 e 2016.

A vantagem do método é que ele utiliza o monitoramento de alta precisão das concentrações atmosféricas de O2 e CO2.

O estudo indicou que o oceano acumulou mais de 13 zettajoules de energia térmica por ano entre 1991 e 2016. O resultado corresponde à faixa máxima do que havia sido sugerido por estimativas anteriores.

As implicações da descoberta podem ser significativas, pois mostra que o acúmulo energético do sistema climático é bem superior ao suposto. Fatores como a sensibilidade climática às maiores concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa, a elevação do nível médio do mar, entre outras, deverão ser revisadas.

Alcançar a meta do acordo climático de Paris de limitar o aquecimento global a 2oC acima dos níveis pré-industriais exigirá esforços ainda mais descomunais. Considerando o resultado do estudo, os pesquisadores ressaltaram que as atividades humanas poderiam emitir adicionalmente 25% menos CO2. O orçamento de carbono ficaria ainda mais apertado.

Fonte: Universidade de Princeton
Imagem: Unsplash/ Sweet Ice Cream Photography

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