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Empresas subestimam danos econômicos futuros

As empresas estão sofrendo com as consequências do aquecimento global, mas ainda subestimam os impactos futuros, apontou artigo de pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido.

O aquecimento global está provocando mudanças climáticas que multiplicam os riscos aos quais as empresas estão expostas. Entre aqueles citados pelo artigo, estão a paralisação de fábricas, entraves de logística, a elevação de custos operacionais – ligados, por exemplo, a uma maior demanda por refrigeração ou por tratamento de água -, ou a redução do preços das ações.

Segundo os pesquisadores, cresce a preocupação entre os investidores a respeito da falha das companhias em abordar a questão das mudanças climáticas. As empresas não estariam identificando precisamente os riscos climáticos de seus negócios. Como consequência, também não estariam se preparando adequadamente para os potenciais impactos.

Um dos motivos se deve ao caráter voluntário da divulgação pública dos riscos climáticos. Em geral, o foco se concentra nas emissões de gases de efeito estufa pelas operações da companhia. Dessa forma, poucas empresas relatam os riscos introduzidos pelas mudanças climáticas ou estabelecem estratégias de gestão de risco apropriadas.

O problema foi identificado por instituições do sistema financeiro internacional. Em 2017, uma força tarefa elaborou um guia para Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima. O guia recomendou que empresas divulguem tanto os impactos reais e potenciais das mudanças climáticas em seus negócios quanto os processos, métricas e metas de gerenciamento de riscos.

A fim de avaliar o estado atual da divulgação, pelas companhias, dos riscos climáticos físicos, os pesquisadores analisaram o conteúdo de toda publicação voluntária de 1.630 empresas ao longo do ano de 2016. Foi investigado se os agentes privados estão informando os custos ligados a riscos e à ações de adaptação, bem como a frequência com essas medidas tem sido implementadas.

A análise revelou que muitas companhias incorporaram as mudanças climáticas às sua gestão de riscos. No entanto, elas ainda não tem identificado corretamente a magnitude e as implicações dos riscos físicos. Muito pouco tem sido feito como preparação aos riscos.

Foram observadas lacunas importantes. A primeira diz respeito à ausência de um levantamento acurado dos impactos financeiros por um grande número de empresas. E aquelas que relatam impactos financeiros, tendem a os apresentar de forma subestimada.

Outra lacuna consiste na restrição da gestão de risco a somente as operações da empresa. Uma das características dos riscos climáticos é como seus efeitos diretos se farão sentir bem além dos limites das companhias, incluindo, por exemplo, as cadeias de suprimento, os trabalhadores e os consumidores.

A grande maioria das organizações privadas não incluiu uma estimativas de custos da gestão de riscos climáticos. E quando eles constaram da divulgação, eles variaram significativamente em escopo e duração. Via de regra, não havia comparação entre os custos da inação ou dos impactos climáticos e os custos da adaptação.

Uma característica dos riscos climáticos é a não linearidade – existe a possibilidade de mudanças abruptas e significativas acontecerem. Esse tipo de risco praticamente não foi mencionado nos relatórios das empresas. Os múltiplos impactos das mudanças climáticas acaba sendo filtrado na análise de risco, alinhando-se aos negócios atuais.

O artigo apontou que a suposição é de que as condições econômicas e sociais continuarão a florescer, mesmo mediante condições desfavoráveis do sistema climático.

Apesar de dispor de uma das melhores relações entre custo e benefício, a alternativa de adaptação baseada em ecossistemas foi amplamente ignorada.

A partir dos resultados, os pesquisadores concluíram que as empresas relatam de maneira esporádica e inconsistente os custos dos impactos físicos das mudanças climáticas e das estratégias necessárias para gerenciá-los.

Ao mesmo tempo, a abordagem das organizações privadas se mostrou bastante estreita. Elas usualmente subestimaram os riscos físicos das mudanças climáticas, inclusive aqueles associados à cadeia de suprimentos, e também os impactos sociais mais amplos.

Sob quase todos os cenários futuros de emissões de gases de efeito estufa,  mudanças climáticas, os impactos da mudança climática se agravarão nas próximas décadas. E podem vir a ser extremamente severos. As empresas terão de mudar de abordagem: de uma adaptação incremental, passar para uma transformacional.

Mais informações: Goldstein, A., Turner, W. R., Gladstone, J., & Hole, D. G. (2018). The private sector’s climate change risk and adaptation blind spots. Nature Climate Change, 1. Livre acesso ao artigo aqui.
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