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Empresas e o risco do carbono

As empresas que não mitigarem as suas emissões de gases de efeito estufa poderão sofrer com a desvalorização de ativos e com a depreciação do preço das ações, sugeriu estudo de pesquisadores de universidade do Canadá.

Os efeitos negativos sobre as companhias intensivas em emissões de carbono podem começar a se fazer sentir em menos de 10 anos.

Em médio prazo, os pesquisadores afirmaram que os mercados passarão a precificar corretamente os riscos introduzidos pelas mudanças climáticas. Com isso, os setores da economia com grandes emissões experimentariam uma desvalorização nas ações.

O estudo apontou duas maneiras pelas quais as mudanças climáticas afetam os investimentos e as empresas. Em primeiro lugar, elas expõem propriedades físicas e ativos de infraestrutura a riscos maiores associados a eventos meteorológicos.

É o caso, por exemplo, de potenciais prejuízos do aumento da frequência ou intensidade de secas na plantação de eucaliptos de uma indústria de celulose.

Dessa forma, a participação societária em negócios de alguma maneira sensíveis ao clima também se tornará mais arriscado e, portanto, exposto a uma desvalorização.

A segunda maneira pela qual os investimentos e as empresas sofrerão com as mudanças climáticas diz respeito ao chamado risco do carbono. Com o avanço do aquecimento global e de seus impactos, é provável que a pressão por ação política se intensifique, afetando determinados tipos de ativos.

O risco do carbono consiste em um risco indireto das mudanças climáticas. Irá se traduzir em novas regulamentações, mais restritivas, e no aumento do custo de emissão de gases de efeito estufa. Setores de uso intensivo de carbono ficarão mais expostos.

Os pesquisadores realizaram uma análise do retorno do investimento em ações de 36 corporações intensivas em carbono da Europa e da América do Norte. Eles examinaram os índices de retorno individuais e dos setores econômicos.

Apenas nove delas apresentavam uma precificação do carbono. Além disso, setores intensivos em carbono – como energia – obtiveram, segundo a classificação do estudo, um desempenho inferior a outros setores tanto no mercado europeu quanto no da América do Norte.

De acordo com um dos pesquisadores, empresas e instituições da indústria financeira, de seguros e previdenciária passarão a incluir o risco do carbono em suas avaliações e investimento. Buscarão reduzir os riscos das mudanças climáticas.

Assim, as empresas dos demais setores da economia precisarão também se adaptar, reduzindo a sua exposição aos riscos diretos e indiretos.

Fonte: Universidade de Waterloo
Imagem: Unsplash/ Ant Rozetsky

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