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Empresas e divulgação de mudanças climáticas

No Brasil, a pressão de acionistas, a gestão de riscos e a questão estratégica são os principais fatores por trás da motivação de gestores e especialistas de empresas em tornar público as ações adotadas para mitigação das mudanças climáticas, identificou estudo de pesquisadores das Universidades Federais da Bahia e de Santa Catarina.

Os negócios – e mesmo a sobrevivência das empresas em longo prazo – podem ser colocados em risco. Segundo o estudo, em face de suas consequências, como perdas na produção de alimentos, no uso do solo, ou o aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, as mudanças climáticas irão interferir tanto na cadeia produtiva das empresas quanto no consumo.

Em resposta, governos, sociedade civil e empresa estão se mobilizando para a adoção de dois tipos de ações. De um lado, reduzir as emissões de gases de efeito estufa, de modo a limitar o aquecimento global. O acordo climático de Paris, do qual o Brasil faz parte, estabeleceu a meta de manter o aquecimento bem abaixo de 2ºC, com esforços para que seja de no máximo 1,5ºC.

O segundo tipo de ação diz respeito ao desenvolvimento de medidas de adaptação aos efeitos atuais e futuros das mudanças climáticas. Em função das emissões acumuladas no passado, a temperatura média global subiu 1ºC acima dos níveis pré-industriais. Algum grau de alteração nas condições climáticas é inevitável e as empresas e sociedades devem se preparar.

O estudo indicou que as empresas tem investido em ações de mitigação das emissões e de adaptação. Elas também utilizam instrumentos de comunicação para dar transparência às ações realizadas. Um desses instrumentos consiste na publicação voluntária de um relatório anual sobre a quantidade de emissões de gases de efeito estufa liberadas pelas atividades da empresa.

Cada vez mais, corporações brasileiras adotam esse tipo de publicação voluntária. E muitas delas fazem relatório considerados como de alto índice de transparência. A fim de compreender melhor os fatores que tem motivado a divulgação voluntária no Brasil, os pesquisadores realizaram uma pesquisa descritiva em uma amostra de 34 gestores e 33 especialistas.

Os resultados mostraram que as empresas percebem os impactos e riscos atuais e futuros das mudanças climáticas. Dessa forma, o tema foi incorporado às estratégias da companhia, considerando uma perspectiva de longo prazo. Assim, a estratégia de mudanças climáticas foi o fator com a maior média entre os gestores e especialistas.

O segundo fator mais determinante para a divulgação voluntário foi a pressão dos acionistas sobre as companhias. Isso reflete a crescente conscientização dos riscos das mudanças climáticas para os negócios. A demanda por informações sobre o tema também aumenta.

Finalmente, o maior interesse nas mudanças climáticas ganha a forma da gestão de riscos, o terceiro fator mais importante em termos de motivação. É através da gestão de riscos que a empresa identifica, planeja e executa medidas para atenuar ou prever possíveis impactos sobre suas operações.

O estudo registrou que dezenas de outros fatores também podem apresentar algum grau de influência. Mas, em particular, destacaram-se  o governo e seus instrumentos legais, a gestão de ativos e a auditoria ambiental.

A cobrança da sociedade por ações direcionadas às mudanças climáticas deverá aumentar no futuro. Bem como os desafios introduzidos pelo avanço do aquecimento global. É uma realidade com a qual as empresas terão de lidar.

Mais informações: DE FARIA, Juliano Almeida; ANDRADE, José Célio Silveira; DA SILVA GOMES, Sônia Maria. Fatores Determinantes da Evidenciação das Mudanças Climáticas nas Empresas Brasileiras Participantes do Carbon Disclosure Project [CDP]. Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade-GeAS, v. 7, n. 1, p. 162-184, 2018.
Imagem: Pixabay

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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