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Emissões de metano podem estar subestimadas

Um dos paradigmas adotado pela ciência climática está errado, afirma estudo de um time de pesquisadores dos Estados Unidos. O paradigma consiste na suposição de que micróbios que produzem metano – CH4 -, um dos gases de efeito estufa, só ocorrem em ambientes anóxicos, sem a presença de oxigênio. O estudo identificou uma espécie microbiana que sobrevive e emite metano em ambientes ricos em oxigênio.

A descoberta coloca em cheque as projeções dos modelos climáticos globais de emissões futuras de metano. Os modelos atuais se baseiam na premissa de que o gás é emitido apenas por micróbios em ambientes anóxicos. As projeções podem subestimar significativamente as emissões futuras de metano.

O paradigma vinha sendo discutido desde a última década. Pesquisas em ecossistemas marinhos levantaram evidências de que metano era produzido por micróbios em regiões de água oxigenada. As evidências contrapunham a teoria sobre os processos bioquímicos de produção de metano por micróbios, uma vez que a molécula do oxigênio torna inativa enzimas utilizadas nesses processos.

O fenômeno ficou conhecido como “paradoxo do metano”, e as causas para a presença de metano em águas com oxigênio permaneceram desconhecidas. No estudo, os pesquisadores descrevem a descoberta de uma nova espécie de micróbio produtor de metano que tolera e é ativa em um ambiente rico em oxigênio.

A descoberta foi realizada por acaso. O objetivo inicial do estudo era investigar o metabolismo da comunidade microbiana em solos de zonas úmidas no estado de Ohio, Estados Unidos. A primeira análise das amostras de solo, no entanto, apresentaram um resultado inesperado. Aquelas ricas em oxigênio continham maior quantidade de metano.

Depois de confirmar os resultados por meio de outras duas análises, os cientistas coletaram amostras ao longo de 7 meses. Em algumas situações, os solos oxigenados chegavam a ter 10 vezes mais metano do que os pobres em oxigênio. O DNA dos micróbios presentes nas amostras foi sequenciado, indicando que o organismo mais abundante consistia em uma espécie de micróbio produtor de metano ainda não identificada pela ciência.

O estudo mostrou que 80% do metano presente na zona úmida onde se realizou a pesquisa veio de solos oxigenados. O habitat do micróbio se estendia das camadas mais profundas e anóxicas do solo até as camadas superficiais e mais ricas em oxigênio. A partir de consulta a bancos de dados, foi estimado que o organismo está presente em mais de 100 locais em toda a América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia.

A suposição de que a emissão de metano se limitava a ambientes anóxicos ficou desatualizada, concluiu o estudo. Mas ainda não está claro a influência desses microrganismos na emissão de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo em que emitem metano, eles também contribuem para o sequestro de carbono pelos solos. Portanto, mais pesquisas devem ser realizadas para avaliar a resposta dos micróbios da zonas úmidas ao aquecimento global.

Os modelos climáticos precisam ser aprimorados, pois possivelmente subestimam as emissões de metano, ressaltam os cientistas. A partir daí, as projeções das emissões líquidas de metano pelas zonas úmidas do planeta devem ser revisadas, a fim de melhor compreender os efeitos sobre o sistema climático.

Fonte: Ohio State University
Mais informações: Methanogenesis in oxygenated soils is a substantial fraction of wetland methane emissions
Imagem: Reserva nacional Old Woman Creek, nos EUA. Jordan Angle/Ohio State University.

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