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Emissões levam à perda de produtividade do trabalho

O aquecimento global impacta a produtividade do trabalho, em especial por meio de eventos de calor extremo. Estudo de pesquisadores de universidades da Alemanha, Canadá e Finlândia calculou que, para cada 1 trilhão de toneladas de carbono emitido, a perda anual de produtividade em nível global será de 2% do Produto Interno Bruto – PIB.

O aumento das temperaturas tem levado a uma maior exposição excessiva ao calor. Segundo o estudo, o trabalho perdido em todo o mundo por causa do calor foi estimado em 153 bilhões de horas em 2017. Em comparação com 2006, representou um aumento de 62 bilhões de horas perdidas.

O crescimento das concentrações atmosféricas de CO2, em função das emissões humanas, provoca o aumento linear da temperatura média global. Nesse sentido, as emissões cumulativas de CO2 estão ligadas ao aumento da exposição extrema ao calor e à perda de produtividade do trabalho.

Os pesquisadores investigaram em detalhe a relação entre emissões e trabalho. Utilizando um indicador de exposição do trabalho ao calor, eles verificaram as perdas registradas historicamente e aquelas projetadas para o futuro, considerando cenários futuros de aquecimento global. Os setores incluídos no estudo foram agricultura, mineração, manufatura e construção civil.

O estudo apontou que a exposição excessiva ao calor cresce junto com as emissões cumulativas de CO2 pelas atividades humanas. Eles afirmaram que a exposição ao calor subiu desde a Revolução Industrial, em resposta ao aquecimento observado, tendência que se manterá com a continuidade das emissões de CO2.

Os impactos do calor sobre o trabalho estarão distribuídos de modo desigual, com grande variação geográfica. Por apresentarem temperaturas e umidade de ar mais elevadas, as regiões equatoriais e tropicais experimentarão no futuro crescimentos significativamente mais elevados na exposição excessiva ao calor.

Para o cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, estimou-se que cada 1 trilhão de toneladas de carbono levaria a perdas anuais de aproximadamente 4,4 trilhões de dólares. Os pesquisadores sugeriram que atualmente, as perdas seriam de 1,96% do PIB global em comparação com um cenário sem aquecimento global.

Os impactos econômicos negativos se concentrarão em países tropicais de baixa renda. O estudo projetou um perda de produtividade do trabalho 9 vezes maior em países de baixa e de média baixa renda do que em países de alta renda. Por exemplo, dependendo do cenário, a África Central, o Sudeste Asiático e a região amazônica enfrentariam condições excessivas de calor todos os dias do ano.

Apesar de explorar apenas as emissões de CO2, os pesquisadores ressaltaram que outros gases de efeito estufa, como o metano – CH4 -, podem agravar a exposição excessiva ao calor. Por outro lado, altas emissões locais de aerossóis possuiriam um efeito contrário, diminuindo temporariamente a exposição ao calor.

Os pesquisadores concluíram que as emissões cumulativas de CO2 estariam associadas à perda de produtividade do trabalho. Outros eventos climáticos extremos e seus danos socioeconômicos poderiam ser igualmente relacionados com as emissões humanas de gases de efeito estufa.

Mais informações: Chavaillaz, Yann, et al. “Exposure to excessive heat and impacts on labour productivity linked to cumulative CO 2 emissions.” Scientific reports 9.1 (2019): 1-11.
Imagem: adaptado da figura 2 do estudo – mapa apresenta o aumento regional da exposição excessiva ao calor em um cenário de 1,5ºC de aquecimento, em comparação com o esperado para o período pré-industrial.

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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