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Emissões de carbono de solos congelados podem tornar mais desafiador cumprir as metas do clima

Para cumprir a meta do acordo climático de Paris e limitar o aquecimento global, as reduções nas emissões de gases de efeito estufa terão de ser maiores do que o estimado até o momento. Estudo de cientistas do Reino Unido investigou possíveis cenários de degradação dos solos congelados no Hemisfério Norte, concluindo que uma quantidade significativa de carbono poderá ser liberada com o aumento das temperaturas.

Localizados nas regiões de alta latitude do Hemisfério Norte, os solos congelados – permafrost, em inglês – contêm uma grande quantidade de carbono. Segundo o estudo, essa regiões experimentam atualmente um aumento das temperaturas devido ao aquecimento global. Uma das consequências é a degradação e decomposição dos solos, levando à liberação do carbono para a atmosfera na forma de dióxido de carbono CO2.

O processo de degradação dos solos congelados é irreversível. Os cientistas exploraram a hipótese de que a liberação de CO2 pelos solos congelados exigirá esforços de mitigação ainda maiores para se alcançar as metas do acordo climático de Paris. A meta é limitar o aquecimento a no máximo 2oC acima dos níveis pré-industriais, mas preferencialmente a 1,5°C.

Para se atingir a meta, serão necessárias reduções extremas nas emissões de gases de efeito estufa e medidas de captura em larga escala do carbono da atmosfera. Além disso, atingir a meta depende de sumidouros naturais do carbono atmosférico, como os oceanos e os ecossistemas terrestres, incluindo florestas e os solos. Uma modificação no ciclo natural do carbono em resposta às mudanças climáticas irá interferir no alcance da meta.

A degradação dos solos congelados constitui uma modificação importante no ciclo natural do carbono. Com o apoio de modelos computacionais, os cientistas elaboraram cenários futuros de estabilização do sistema climático em 1,5°C e 2°C acima dos níveis pré-industriais. Para cada cenário, foi estimada a quantidade de CO2 liberado pela degradação dos solos congelados.

O estudo sugere que os solos congelados irão liberar entre 0,10 e 0,26 gigatoneladas de carbono por ano em 2100. O total de carbono emitido no cenário de 2°C seria entre 225 e 345 gigatoneladas. Dessa forma, haveria a necessidade de implementar medidas de sequestro e captura de carbono da atmosfera adicionais, de forma a compensar as emissões provenientes da degradação dos solos congelados. Só assim a meta de 1,5°C ou 2°C seria alcançada.

Fonte: CO2 loss by permafrost thawing implies additional emissions reductions to limit warming to 1.5 or 2 °C
Imagem: Flickr / NPS Climate Change Response – área de solos congelados degradada no Alasca

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