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Eleições 2018 e a natureza brasileira

DA REDE DE ESPECIALISTAS EM CONSERVAÇÃO DA NATUREZA – Em 2018, os brasileiros voltam às urnas para  eleger presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Na hora do voto, muitos eleitores depositam a expectativa de melhorias em várias áreas como educação, saúde, geração de renda, segurança. Em meio a tantos desejos, a conservação do meio ambiente deve ser pensada como uma prioridade. A maneira como nos relacionamos com o planeta pode ser decisivo no bem-estar de toda a sociedade e impactar diretamente as condições de vida das futuras gerações. Para descobrir quais iniciativas públicas e privadas são urgentes no País, a Rede de Especialistas em Conservação da Natureza escutou o que dizem alguns dos mais respeitados profissionais da área. As aspirações demonstram a abrangência do tema que contempla o desenvolvimento sustentável, proteção de áreas naturais, recuperação de áreas degradadas, respeito à Legislação Ambiental, valorização dos serviços ecossistêmicos e a importância de pensar a economia valorizando a ecologia. Veja o que eles pensam:

 

Rafael Loyola* – (Goiânia-GO)
“Um País melhor do ponto de vista ambiental é aquele que incorpore nossa riqueza natural na economia e suas políticas públicas; que valorize o verde de sua bandeira, entendendo que, sem ele, o amarelo desaparece. Um País que veja a natureza não como algo que precisa ser removido do caminho para que o desenvolvimento aconteça, mas que entenda que o desenvolvimento sustentável é a chave para uma economia e sociedade saudáveis. Finalmente, quero um País que seja coerente em relação às suas políticas ambientais, que não impossibilite o avanço na conservação da natureza proposto em acordos internacionais por meio de políticas internas que são desastrosas para o meio ambiente.”
*Rafael Loyola é biólogo, doutor em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), diretor do Laboratório de Biogeografia da Conservação, professor da Universidade Federal de Goiás e  membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

Teresa C.S. Avila Pires* (Belém – PA)
“Gostaria de um País onde as pessoas, inclusive governantes e legisladores, compreendessem a necessidade de um desenvolvimento ambientalmente sustentável; onde as decisões econômicas levassem em consideração o custo ambiental; e onde ‘desmatamento zero’ e ‘extinção zero’ se transformassem em cláusulas pétreas do desenvolvimento. Isso, claro, exigiria trabalho sério, com planejamento adequado e integrado das políticas de desenvolvimento econômico, social e ambiental, assim como investimento em educação, ciência e tecnologia. Dessa forma, poderíamos verdadeiramente pensar em um futuro de qualidade para as próximas gerações.”
*Teresa Pires  é pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi, pesquisadora do Sam Noble Oklahoma Museum of Natural History, professora da Universidade Federal do Pará e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

Márcia Marques* (Curitiba – PR)
“Eu quero Brasil que assume seu papel de País com maior diversidade biológica do planeta. Com isso, espero que todo o planejamento, da economia à educação, da saúde à agricultura, da ciência à mobilidade urbana, sejam pensados com respeito ao patrimônio natural e cultural que pertence aos brasileiros.” 
*Márcia Marques é professora da Universidade Federal do Paraná, vice-presidente da Associação Brasileira de Ciência, Ecologia e Conservação e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

Teresa Cristina Magro* (Piracicaba – SP)
“Quando penso no País que espero me vem a imagem de uma proximidade do meio urbano com o ambiente natural – e aí incluo também o ambiente rural. Espaços que atualmente servem como depósito de lixo e rejeitos sendo recuperados e utilizados com hortas e parques urbanos. A melhoria das condições de saúde humana sendo incentivadas por meio da aproximação com o ambiente natural. Quero um país que priorize Políticas Públicas para a recuperação das áreas degradadas na região da Mata Atlântica e do Cerrado. Um país que entenda que é mais que urgente a recuperação de rios e que considere o uso inteligente dos espaços produtivos para a segurança alimentar.”
*Teresa Magro é professora da USP, coordenadora  do sub-grupo Nature Conservation and Protected Areas do International Union of Forest Research Organizations (IUFRO), participante do Recreation Ecology Research Network e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

Cecilia Kierulff* (São Mateus – ES)
“Eu espero que as questões ambientais sejam tratadas como prioridade; que a preservação e a proteção do meio ambiente sejam levadas a sério pelos governantes e pela população; que as pessoas entendam a importância de manter o meio ambiente saudável para o bem-estar de todas as espécies, incluindo a nossa – e se esforcem para isso.”
*Cecília Kierulff é sócia-fundadora do Instituto Pri-Matas e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

Reuber Brandão* (Brasília – DF)
“A Economia nada mais é que uma tentativa humana de reproduzir o que a Ecologia já ensina. Quando utilizamos recursos naturais aparentemente inesgotáveis, sem levarmos em conta o quanto de investimento de longo prazo foi necessário para que eles fossem produzidos, estamos corroendo a única economia verdadeira e palpável, que é a natureza. O que eu quero para o Futuro é que a Economia entenda o custo Ecológico, que perceba (de verdade) que não existe geração de dinheiro que não dependa de transformação de recursos naturais ou dos serviços ecossistêmicos que são cada vez mais escassos. Que a Economia caminhe de encontro à Ecologia. Que a Ecologia, a única Economia verdadeira, dite o ritmo da Economia artificial, pois, de outra forma, não haverá futuro para o Brasil ou para o mundo.”
*Reuber Brandão é biólogo, professor da Universidade de Brasília (UNB) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

Gisele Sessegolo* (Curitiba – PR)
“Eu quero um Brasil com mais cidadãos entendendo o quanto a conservação da natureza é, ao mesmo tempo, um dever e um direito… afinal, o meio ambiente pertence a toda a coletividade. Qualidade do ar e da água que todos necessitam estão diretamente relacionados à conservação dos ecossistemas e de sua biodiversidade!”
*Gisele Sessegolo é bióloga, mestre em Conservação da Natureza, doutora em Ciências, diretora da Ecossistema Consultoria Ambiental e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

Paulo de Tarso Antas* (Recife – PE )
“Entre todos os fenômenos naturais, um dos que mais nos atrai a atenção são as migrações das aves. Existem espécies que, literalmente, cruzam o globo terrestre de pólo a pólo anualmente duas vezes nesses movimentos estacionais. No Brasil, diversas áreas sob algum regime de proteção ou ainda sem essa qualificação são fundamentais para aves migratórias continentais. Tratados entre países com foco nessa proteção dos quais o Brasil é parte existem desde os anos 1940.  Por ter, geograficamente, quase 50% da área do continente sulamericano em suas fronteiras e por ter um extensão marítima no Atlântico Sul semelhante, o Brasil do futuro precisa liderar e implementar as políticas de conservação demandando cooperação internacional para as espécies migratórias, sejam aves ou de qualquer outro grupo animal, mantendo-se como um farol na área por sua efetividade e exemplo.”
*Paulo de Tarso Antas é biólogo, doutor em Ecologia pela Universidade de Brasília e  membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

Pedro Develey* (São Paulo – SP)
“Quero um Brasil onde a legislação ambiental seja respeitada, onde a conservação do meio ambiente esteja alinhada com o desenvolvimento socioeconômico e as unidades de conservação devidamente valorizadas e implementadas.”
*Pedro Develey é biólogo, mestre e doutor em Ecologia das Aves, diretor de Conservação da Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

Neiva Guedes* (Campo Grande – MS)
“O País que eu desejo para meus netos (minha filha ainda tem 15 anos), é aquele onde as pessoas entendam que elas fazem parte da natureza, que estamos em um mesmo contexto, que o que afeta a natureza, nos afeta também. O dia que as pessoas tiverem mais consciência do seu pertencimento, creio que terão mais cuidado e outro olhar para a natureza e conservação da biodiversidade. Espero que as pessoas comecem cuidando da natureza na sua casa, no quintal, na rua, no bairro, na cidade,  no estado e no País.”
*Neiva Guedes  é bióloga, doutora em Ciências Biológicas pela UNESP/ Botucatu, presidente do Instituto Arara Azul e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

Marcelo Aranha*  (Palotina – PR 
“Queremos um País onde as pessoas se preocupam em conservar os recurso naturais visando à qualidade de vida não só da espécie humana, mas também de todos os organismos. Em especial, a conservação dos recurso hídricos já tão escassos e que estão sendo sistematicamente desprezados dentro das políticas públicas e processos de desenvolvimento deste País. Queremos que esses recursos sejam mantidos em quantidade e qualidade, garantindo qualidade de vida para as futuras gerações.”
*Marcelo Aranha  é biólogo, doutor em Ecologia pela Universidade Federal de São Carlos, professor associado da Universidade Federal do Paraná  e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

Fabiano Melo* (Viçosa – MG) 
“Eu desejo um País mais técnico, com maior capacidade de produzir conhecimento, que possa compreender melhor a importância das questões ambientais como o alicerce principal para todas as demais atividades humanas, principalmente aquelas relacionadas ao seu bem-estar. Uma natureza saudável é uma exigência imprescindível para a nossa sobrevivência enquanto espécie. Uma sociedade mais justa, mais equilibrada, depende dos seus recursos naturais, que devem ser adequadamente explorados, recuperados e, em boa parte dos casos, mantidos em bom estado de conservação. Ambientes únicos, como a Mata Atlântica, Caatinga e o Cerrado devem ser recuperados e refaunados, enquanto biomas como a Amazônia e o Pantanal devem priorizar sua ocupação de maneira ordenada e que valorize a natureza que os compõem, tornando-os celeiros de novas ideias, com perfil voltado para o ecoturismo e a exploração de recursos ambientais de forma equilibrada e tecnicamente sustentável. Que a nossa sociedade, predominantemente urbana, e o agronegócio, associado às atividades de exploração mineral, de energia e de outros bens naturais, possam equalizar esse processo continuado e valorizar os serviços ecossistêmicos prestados pelos ambientes naturais protegidos. Que possamos alcançar uma qualidade de vida plena! Este é o país que desejo para o nosso futuro!”
*Fabiano Melo  é biólogo, doutor em Ecologia pela Universidade Federal Minas Gerais  e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

Rachel Biderman* (São Paulo – SP)
“ Desejo um País que vai preservar o Cerrado, que está desaparecendo. Estamos destruindo esse bioma de maneira avassaladora. Também queremos conservação dos parques, unidades conservação e das áreas protegidas. Precisamos investir mais nas áreas que garantem a semente para o futuro da nossa agricultura, da silvicultura e de água. E mais, queremos restauração florestal em larga escala. É preciso plantar onde há terra degradada para produzir alimento, madeira e produtos que usamos no nosso dia a dia. É esse o Brasil que a gente precisa e a hora de mudar o País é agora.”  
*Rachel Biderman é advogada, doutora em Gestão Pública pela Fundação Getúlio Vargas, diretora do World Resources Institute (WRI-Brasil) e  membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

Imagem: Haroldo Palo Jr.

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