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El Nino mais frequente elevará a epidemia de Zika

Grande partes da América do Sul podem se tornar mais favoráveis às epidemias do vírus da Zika no futuro. A maior frequência de eventos extremos do El Niño, juntamente com temperaturas mais elevadas, formarão condições altamente favoráveis para a disseminação da doença, apontou estudo de pesquisadores do Brasil, da Arábia Saudita e da Índia.

Além de vários desastres naturais em todo o mundo, os eventos extremos de El Niño – como, por exemplo, de 2015-16 – provocam alterações climáticas anormais. Segundo o estudo, as fortes variações no clima, observadas entre um ano e outro, interferem na ecologia de vetores de doenças.

Uma pesquisa recente sugeriu uma associação entre a distribuição e a dinâmica populacional do Aedes aegypti, mosquito vetor do vírus da Zika, e as condições climáticas. Tanto a temperatura quanto a umidade estão relacionados ao ciclo de vida do mosquito, interferindo em seu desenvolvimento, sobrevivência e distribuição.

Durante o evento de El Niño na América do Sul, criam-se condições que podem facilitar a população do Aedes aegypt e sua dispersão. As projeções de modelos climáticos sugerem que o aquecimento global modificará a frequência de eventos extremos do El Niño. Esse tipo de evento poderá se tornar duas vezes mais comum.

A fim de explorar as possíveis implicações para a transmissão da Zika na América do Sul, os pesquisadores avaliaram as projeções de modelos climáticos. Foram investigados a ocorrência e características de eventos extremos de El Niño para o período entre 2070 e 2100, considerando um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa.

Identificou-se que eventos extremos de El Niño no futuro estabelecerão condições de temperatura ideais para a reprodução do mosquito transmissor. Em especial na Bahia, norte de Minas Gerais e de Roraima, na região amazônica, e nos países da Venezuela, Colômbia, Guiana, no oeste da Argentina e no sul do Chile.

Dessa forma, o El Niño poderá favorecer o aumento da taxa de reprodução e a disseminação de doenças transmitidas pelo mosquito. O potencial de epidemia de Zika se elevará em toda a América do Sul, com destaque para a Argentina, Bolívia e Paraguai, e, no Brasil, para a Amazônia, o Mato Grosso, o sul de Minas Gerais e o estado de São Paulo.

Se as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypt constituem um grande problema de saúde pública no presente, a tendência é de agravamento no futuro. Será preciso executar políticas públicas na área para adaptação aos efeitos do aquecimento global.

Mais informações: Rao, V.B. et al. Future increase in extreme El Niño events under greenhouse warming increases Zika virus incidence in South America. npj Clim. At. Sci. 2, 4 (2019).
Imagem: Flickr-Agência Brasília/ Andre Borges

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