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El Nino e a incidência de dengue

Os ciclos da dengue podem ser influenciados pela Oscilação Sul do El Niño. Estudo de pesquisadores da Holanda e da Venezuela identificou possível influência, em escalas sazonal e interanaul, dos anos mais secos e quentes do El Niño sobre os picos de incidência da doença.

Nos últimos 50 anos, a incidência global da dengue aumentou 30 vezes, afetando atualmente aproximadamente 390 milhões de pessoas. Segundo o estudo, projeções estimaram que nos próximos 30 anos a doença continuará a se espalhar.

A doença pode apresentar padrões sazonais e interanuais. A sazonalidade é caracterizada por ciclos regulares anuais, usualmente associada à variações na temperatura e precipitação – os principais fatores ligados ao ciclo de vida do mosquito transmissor, Aedes aegypti, e do vírus.

No caso de variações interanuais, elas podem ocorrer em alguns cenários epidemiológicos, registrando ciclos de epidemias a cada poucos anos. Contudo, o estudo alerta que esse tipo de variação é mais complexa, incluindo uma conjunto de elementos ambientais – extrínsecos – e imunológicos – intrínsecos.

A fim de explorar os ciclos interanuais, o estudo analisou a incidência da dengue na Venezuela. O objetivo foi identificar a presença de ciclos interanuais na dinâmica temporal da dengue no país e uma possível relação com a variabilidade do clima.

Abrangendo o período entre 2001 e 2016, uma série de dados de duas regiões altamente endêmicas do norte da Venezuela foram analisados. Em seguida, explorou-se a evolução das variáveis climáticas locais e regionais no mesmo período.

Os pesquisadores identificaram, além do ciclo sazonal, uma variação interanual de epidemias de dengue em uma frequência cíclica de 3 a 4 anos. Verificou-se uma co-relação entre o padrão interanual da doença e os ciclos do El Niño. Quatro das sete epidemias nacionais do período ocorreram em anos de El Niño.

A relação entre o clima e a incidência da doença não é linear e envolve diversos outros fatores. Mas o estudo sugere duas formas de influência do El Niño. A primeira diz respeito ao ciclo de vida do Aedes aegypti. Em condições de temperatura mais alta, as fases reprodutiva e de crescimento do mosquito se aceleram. 

Além disso, a falta de infraestrutura de abastecimento de água faz com que as pessoas armazenem água tanto em ambientes internos quanto externos. Essa prática se intensifica em anos mais secos, como os de El Niño. Assim, multiplicam-se os ambientes favoráveis à reprodução do mosquito.

Com base nos resultados, os pesquisadores recomendaram a inclusão de fatores climáticos locais e regionais em sistemas de vigilância epidemiológica da Venezuela.

Mais informações: ENSO-driven climate variability promotes periodic major outbreaks of dengue in Venezuela
Imagem: adaptado da figura 2 do estudo – gráfico de casos de dengue na região de estudo. Picos estão indicados por setas, e anos de El Nino pela sigla EN

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