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Efeitos do desmate e clima na Mata Atlântica

Os efeitos das mudanças climáticas sobre as florestas subtropicais da Mata Atlântica dependerão do grau de preservação dos remanescentes vegetais. Os impactos serão diferentes em função dos distúrbios sofridos pelas florestas em função de atividades como o extrativismo, apontou estudo de cientistas brasileiros.

O distúrbio da cobertura vegetal ocorre naturalmente, quando a morte de uma ou mais árvores provoca a abertura de clareiras na floresta. O processo tem muito importância para a ecologia da floresta, influenciando as suas características ao longo do tempo.

No entanto, segundo o acordo, os efeitos dos distúrbios causados pela atividade humana, como, por exemplo, a retirada de madeira e as mudanças climáticas, ainda são pouco conhecidos. As alterações do clima tem provocado uma resposta global de aumento do crescimento das árvores e do dinamismo das florestas tropicais.

O estudo analisou a hipótese de que os efeitos das mudanças climáticas na estrutura e dinâmica das florestas estaria associada às perturbações causadas pelo histórico de exploração madeireira de uma determinada região. Foi investigadas dez parcelas de 1 hectare da Floresta Nacional – FLONA – de São Francisco de Paula, localizada no município de mesmo nome, no nordeste do Rio Grande do Sul.

As parcelas apresentavam diferentes histórias de perturbações por atividades humanas. Cinco nunca haviam sido exploradas, enquanto as outras parcelas enfrentaram exploração seletiva descontrolada até 1955 ou até 1987. Os pesquisadores coletaram dados sobre as espécies de árvore de cada parcela no período entre 2000 e 2010.

Levantamento de dados climáticos mostraram uma alteração da temperatura e de distúrbios naturais ligados à precipitação. Outro fator de influência sobre a floresta foi o aumento das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2. O estudo identificou que as mudanças climáticas interferiram na vegetação, e esse efeito variou conforme os distúrbios passados de retirada de madeira.

Em todas as parcelas, a quantidade de biomassa acima do solo subiu ao longo do período do estudo. O crescimento foi maior naquelas onde não se registrou exploração. As parcelas com algum tipo de distúrbio por atividades humanas experimentaram uma redução de diversidade e de espécies pioneiras e uma interrupção do processo de sucessão.

Em florestas da Mata Atlântica, os pesquisadores concluíram que as mudanças climáticas trarão impactos variáveis na dinâmica da vegetação, a depender do legado de distúrbios pela exploração humana.

Mais informações: Souza, Alexandre F., and Solon Jonas Longhi. “Disturbance history mediates climate change effects on subtropical forest biomass and dynamics.” Ecology and Evolution (2019).
Imagem: figura 1 do estudo – foto do limite da Flona de São Francisco de Paula, no qual se verificou retirada de vegetação

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