Emissões de gases de efeito estufa devem voltar a subir em 2017

A quantidade total de emissões de gases de efeito estufa deve voltar a subir em 2017, afirma estudo de um grupo internacional de pesquisadores. Com isso, chega ao fim a sequência de três anos seguidos nos quais houve uma pausa no crescimento das emissões.

O estudo indica que as emissões de dióxido de carbono – CO2 – alcançarão cerca de 41 bilhões de toneladas em 2017, representando um aumento de 2% em relação ao ano de 2016 (ver gráfico abaixo). Desse total, 37 bilhões de toneladas devem ser emitidas a partir da queima de combustíveis fósseis.

O gráfico da direita traz o crescimento anual das emissões globais de CO2. A linha azul indica os três últimos anos. A linha vermelha mostra a projeção para 2017. O gráfico da direita mostra as emissões históricas de CO2 e as projeções de diferentes trajetórias futuras de emissões, de acordo com a meta de temperatura. Fonte: Universidade East Anglia.

O aumento previsto é próximo da média anual de crescimento das emissões globais do período entre 2004 e e 2013, que foi de 2,3% ao ano. O Fundo Monetário Internacional – FMI – estima que o PIB global irá subir 3,6% no ano.

Segundo o estudo, o crescimento das emissões será puxado pela China. O aumento do consumo de carvão e um crescimento do PIB estimado em 6,8% levarão as emissões do país a subir aproximadamente 3,5%. Com crescimento do PIB acima de 6,7%, as emissões da Índia foram projetadas para crescer em 2%. Esse número é considerado baixo, em comparação com a taxa de aumento médio das emissões indianas na última década – mais de 6% ao ano.

Devido às baixas taxas de crescimento do PIB, da ordem de 2% no ano, as taxas de emissão de CO2 dos Estados Unidos e da Europa continuarão praticamente estáveis, registrando uma queda pouco significativa – menos de 0,5%. 

Apesar de um aumento médio de 14% nos últimos cinco anos, os pesquisadores ressaltam que as fontes de energia renovável ainda possuem uma participação muito baixa na oferta de energia global. A consequência é que a concentração atmosférica de CO2, quem em 2016 atingiu 403 partes por milhão – ppm, deverá subir mais 2,5 ppm em 2017.

O estudo é um balde de água fria no acordo climático de Paris. A volta de tendência de crescimento das emissões globais torna ainda mais difícil atingir a meta de limitar o aquecimento global a no máximo 2oC.

O vídeo abaixo apresenta os resultados do estudo, detalhando as projeções para diversos países:

Fonte: Universidade East Anglia
Imagem: Pixabay